ECONOMIA – Participação Feminina no Mercado de Trabalho Cresce 11%, Mas Desigualdade Salarial Entre Gêneros Persiste e Atinge 21,3% nas Empresas Privadas.

A participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro apresentou um incremento significativo de 11%, representando uma ampliação das oportunidades especialmente para mulheres negras e pardas. Apesar desse avanço, as desigualdades persistem. Dados recentes indicam que, em média, as mulheres ainda recebem um salário 21,3% menor do que o dos homens nas empresas privadas que contam com pelo menos 100 funcionários.

Essas conclusões fazem parte do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento revelou que a participação das mulheres no mercado de trabalho saltou de 7,2 milhões para 8 milhões, totalizando cerca de 800 mil novas ocupações. Essa mudança é ainda mais notável no caso das mulheres negras, que experimentaram um crescimento de 29% nas contratações, aumentando o número de trabalhadoras de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

Embora a quantidade de mulheres empregadas tenha crescido, a disparidade remuneratória entre os gêneros permanece aguda e quase inalterada em relação ao ano anterior. Em 2023, as mulheres ganhavam, em média, 20,7% menos que os homens, uma pequena variação que se ampliou para 21,3%. O salário mediano também evidencia essa desigualdade, com um aumento na diferença de 13,7% para 14,3%.

O relatório, embasado em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), abrange informações de cerca de 53,5 mil empresas com 100 ou mais empregados. Ao analisar os rendimentos, o salário médio nacional foi estimado em R$ 4.594,89, enquanto o salário mediano, que reflete o ponto médio da escala salarial, ficou em R$ 2.295,36.

Além disso, a presença das mulheres na massa de rendimentos subiu de 33,7% para 35,2%, mas ainda está aquém da participação feminina total, que chega a 41,4%. Para atingir esta paridade, seria necessário um aumento de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos femininos, um desafio que implica custos adicionais para as empresas, frequentemente resistentes a tal mudança.

O avanço também é perceptível nas políticas internas corporativas, como a adoção de jornadas flexíveis, auxílio-creche e licenças parentais mais generosas. No entanto, o relatório revela que as diferenças regionais persistem, com estados como Acre e Piauí destacando-se pelo menor índice de desigualdade e Estados como Espírito Santo e Rio de Janeiro apresentando os maiores.

Este levantamento é uma aplicação da Lei nº 14.611/2023, que visa promover a transparência salarial e a igualdade de remuneração entre homens e mulheres, estabelecendo diretrizes claras para combater a discriminação e incentivar a participação feminina no mercado de trabalho.

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