ECONOMIA – “Mercosul e União Europeia Aprovaram Acordo Comercial Histórico Após 25 Anos, Estabelecendo Maior Zona de Livre Comércio do Mundo”

Após mais de duas décadas de negociações intensas, o aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) finalmente recebeu a aprovação do Conselho da UE. O tratado, que deverá ser formalmente assinado no próximo dia 17 de janeiro em Assunção, Paraguai, estabelece as bases para a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo aproximadamente 700 milhões de pessoas. Este avanço, celebrado por governantes e setores industriais, representa uma significativa oportunidade econômica, mas não está isento de controvérsias.

Apesar do otimismo de alguns segmentos, o acordo suscita preocupações entre grupos de agricultores europeus e ambientalistas. Estes últimos temem que a abertura de mercados possa provocar impactos negativos no clima e na concorrência agrícola, especialmente no que diz respeito à produção local. Vale destacar que a implementação do tratado ocorrerá de forma gradual, e seus efeitos serão percebidos ao longo de vários anos, dando margem para ajustes e respostas às críticas.

Após a assinatura, o acordo ainda dependerá da aprovação do Parlamento Europeu. Há componentes que vão além da política comercial, exigindo ratificação nos parlamentos nacionais dos países da UE. Isso pode alongar o cronograma de efetivação e abrir espaço para disputas políticas.

O acordo é composto por diversas cláusulas importantes. Dentre elas, está a eliminação gradual de tarifas alfandegárias, com o Mercosul comprometendo-se a zerar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia concordou em eliminar tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul em um período de até 12 anos. Isso traz ganhos imediatos para a indústria, que verá a isenção tarifária desde o início para diversos produtos, beneficiando setores como máquinas, automóveis e químicos.

Além disso, as empresas do Mercosul terão acesso preferencial a um mercado europeu de elevado poder aquisitivo, contribuindo para um comércio mais previsível. O acordo também contempla o estabelecimento de cotas para produtos agrícolas sensíveis, como carne bovina e açúcar, visando proteger os agricultores locais na Europa.

Outro aspecto relevante são as cláusulas ambientais vinculativas, onde produtos beneficiados pelo acordo não poderão ter celebrado pelo desmatamento ilegal, e a possibilidade de suspensão do tratado em caso de violação dos compromissos climáticos. Também não há flexibilização nos padrões de segurança alimentar, mantendo a rigidez das regras sanitárias da UE.

Para as pequenas e médias empresas (PMEs), o acordo promete facilitar o acesso ao mercado, reduzindo burocracias e custos operacionais. Com isso, espera-se um potencial de aumento nas exportações brasileiras, especialmente em setores como agro e indústria, além de estímulos a investimentos estrangeiros.

Os próximos passos incluem a assinatura do acordo e, posteriormente, um longo processo de ratificação nos parlamentos dos países envolvidos. Apenas após a conclusão de todos esses trâmites o acordo poderá entrar em vigor, finalizando um capítulo que promete transformar as relações comerciais entre as economias da América do Sul e da Europa.

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