Apesar de um cenário global tenso, marcado por conflitos no Oriente Médio, essa é a terceira semana consecutiva em que as previsões para a inflação deste ano são elevadas. Vale destacar que, mesmo com o aumento, as expectativas ainda se encontram dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como meta uma inflação de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, estabelecendo limites entre 1,5% e 4,5%.
No contexto mais recente, a inflação oficial do mês de fevereiro fechou em 0,7%, o que representa uma aceleração em comparação aos 0,33% observados em janeiro. Por outro lado, o acumulado em 12 meses caiu para 3,81%, atingindo menos de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
As projeções para os próximos anos também refletem um ligeiro ajuste. Para 2027, a expectativa de inflação passou de 3,8% para 3,84%, enquanto para 2028 e 2029 as previsões estão em 3,57% e 3,5%, respectivamente.
Em relação à taxa Selic, atualmente fixada em 14,75% ao ano, o Banco Central utiliza esse instrumento como forma de controle da inflação. Após uma reunião recente, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, em um contexto onde a expectativa anterior era que o corte fosse ainda mais significativo, de 0,5 ponto. A última vez que a Selic esteve em 15% foi em julho de 2006, e desde setembro de 2024, a taxa foi aumentada em sete ocasiões consecutivas, antes de ser mantida estável em quatro reuniões seguidas.
Sob a pressão das incertezas globais, o Banco Central não descarta a possibilidade de revistar os cortes se a situação assim exigir. O próximo encontro do Comitê de Política Monetária está agendado para abril, onde novas definições poderão ser discutidas.
Além das questões referentes à inflação e taxa de juros, as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também apresentaram ajustes, passando de 1,84% para 1,85% para o ano atual, com previsões de 1,8% para 2027 e 2% para 2028 e 2029. A economia brasileira já demonstrou recuperação no ano anterior, apontando um crescimento de 2,3%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ressaltando a expansão em vários setores, especialmente na agropecuária.
Por fim, a previsão de cotação do dólar se mantém em R$ 5,40 para o final deste ano e R$ 5,45 para o final de 2027, indicando uma perspectiva de estabilidade no câmbio, em um cenário ainda permeado por incertezas.
