A medida foi oficialmente comunicada no dia 21 de janeiro e, segundo dados do BC, inclui a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will, que fazia parte do conglomerado Master. Esse grupo financeiro, apesar de sua relevância, representava apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações no Sistema Financeiro Nacional, evidenciando sua fragilidade no cenário econômico.
O Banco Central justificou que, na época da liquidação do Banco Master, a implementação do RAET para a Will Financeira parecia uma solução viável que poderia preservar suas operações. No entanto, essa expectativa foi frustrada. Em 19 de janeiro, o BC constatou que a Will não estava cumprindo com suas obrigações de pagamento em um arranjo com a Mastercard Brasil, levando ao bloqueio de sua participação nesse sistema. A situação, segundo informações da autoridade monetária, tornou a liquidação extrajudicial inevitável devido à insolvência da instituição e à deterioração da sua saúde financeira.
O Banco Master, de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro, ganhou destaque ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rendimentos significativamente superiores à média do mercado, o que, a longo prazo, resultou em um acúmulo de riscos e uma manipulação insustentável de seu balanço. Essa estratégia arriscada levou a uma crise que não se limitou a aspectos financeiros, mas também corrompeu a base institucional do banco.
As investigações, que envolvem a Polícia Federal e relatórios do BC, indicam que o colapso do Banco Master foi impulsionado por práticas que desviaram cerca de R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024 através de uma rede complexa de operações. Esse esquema incluía empréstimos a empresas fictícias que direcionavam os recursos para fundos geridos pela Reag Investimentos. Esses fundos, por sua vez, adquiriram ativos com pouco ou nenhum valor real, inflacionando os preços. O BC, ao aprofundar as investigações, identificou uma série de fundos da Reag suspeitos, que possuíam um patrimônio total de R$ 102,4 bilhões, demonstrando como o dinheiro circulava entre as entidades antes de chegar aos beneficiários finais, intensificando a crise de confiança no sistema financeiro brasileiro.






