ECONOMIA – Juros médios para famílias alcançam 60,1% ao ano em 2025, com aumento expressivo no crédito rotativo e endividamento preocupante entre os brasileiros.

Em um cenário econômico em transformação, os dados revelados pelo Banco Central trazem à tona uma realidade preocupante: os juros médios para as famílias brasileiras subiram 7 pontos percentuais em 2025, alcançando a alarmante taxa de 60,1% ao ano em dezembro. Esse aumento é particularmente impactante na modalidade de cartão de crédito rotativo, onde os juros, embora tenham recuado 13,6 pontos percentuais durante o ano, ainda representam uma taxa exorbitante de 438% ao ano. Essa situação revela a pressão que muitas famílias enfrentam ao longo de suas lutas financeiras.

O crédito rotativo, uma prática comum para aqueles que pagam apenas o valor mínimo da fatura do cartão, transforma-se em um empréstimo com juros altos, complicando ainda mais a saúde financeira dos consumidores. Mesmo com a limitação da cobrança de juros implementada em janeiro de 2024, a taxa efetiva ainda não sofre reflexos devido à persistência das condições pactuadas no ato da contratação.

Além disso, o crédito pessoal não consignado também contribuiu para o aumento da carga financeira dos cidadãos, com um crescimento de 13,4 pontos percentuais, passando a 116,8% ao ano. Nesse contexto, o setor empresarial enfrenta suas próprias adversidades, com a taxa média de juros situando-se em 25% ao ano, um aumento de 3,3 pontos percentuais no ano. O capital de giro e o cheque especial, por exemplo, observaram incrementos significativos, chegando a 50,3% e 355,7% ao ano, respectivamente.

Esse panorama de altas taxas de juros ocorre em um momento em que o crédito livre continua sendo o principal motor das operações financeiras, permitindo que os bancos definam livremente as condições de empréstimo. Em contraponto, o crédito direcionado, que abrange setores como habitação e agricultura, mantém taxas mais baixas, como 11,2% ao ano para pessoas físicas.

O efeito colateral dessa elevação nas taxas de juros é o aumento da inadimplência. Em dezembro, o índice de atrasos entre as famílias subiu para 5%, um reflexo da crescente dificuldade de pagamento. Além disso, o endividamento das famílias alcançou 49,8%, evidenciando um desafio significativo em relação à renda e compromissos financeiros.

Nesse contexto, o comprometimento da renda média também aumenta, atingindo 29,3%. Esses dados indicam que, apesar dos esforços para controlar a inflação, a realidade financeira da população exige uma atenção urgente. Com o Banco Central mantendo a taxa Selic em patamares elevados na tentativa de conter a inflação, a expectativa é que as famílias continuem enfrentando dificuldades financeiras, exigindo não apenas medidas de política econômica eficazes, mas também um apoio mais robusto para mitigar os efeitos da crise do endividamento.

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