Atualmente, a jornada predominante é de 44 horas por semana, organizadas em uma escala 6×1, que permite aos trabalhadores apenas um dia de descanso a cada seis dias trabalhados. O estudo aponta que a transformação para 40 horas resultaria em um aumento de custo em torno de 7,84% para trabalhadores celetistas, mas esse aumento teria um impacto relativamente modesto sobre as grandes empresas, especialmente nos setores de indústria e comércio, onde o custo da mão de obra representa uma fração do total das despesas operacionais.
No entanto, o impacto poderia ser mais pronunciado em setores de serviços que dependem de maior número de funcionários, como vigilância e limpeza. Para estas áreas, uma transição gradual seria necessária, possibilitando que pequenas empresas se adaptassem sem grandes prejuízos.
Além do impacto financeiro, a jornada de 44 horas está muitas vezes associada a trabalhadores de menor renda e escolaridade. O estudo sugere que a redução da carga horária poderia ajudar a mitigar essas desigualdades, oferecendo melhores condições para aqueles que ocupam os empregos menos remunerados. Com uma jornada reduzida, a expectativa é que o valor da hora trabalhada aumente, trazendo os trabalhadores nesses postos para condições mais favoráveis, aproximando-os dos que estão em situação de trabalho mais digna.
Em 2023, dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) indicaram que aproximadamente 74% dos 44 milhões de trabalhadores celetistas têm jornadas de 44 horas. A proporção de trabalhadores com jornadas prolongadas é ainda maior em pequenas empresas, onde até 88,6% dos empregados enfrentam essa condição.
A proposta de redução de jornada já é um tema debatido no Brasil, especialmente com o apoio de lideranças políticas, como o presidente da Câmara dos Deputados, que anunciou a intenção de discutir e votar projetos relacionados ao tema neste ano. Com duas propostas em tramitação, a expectativa é que a questão avance no debate legislativo, refletindo uma preocupação crescente com as condições de trabalho e a valorização do trabalhador.
