ECONOMIA – Iniciativa percorre o Nordeste em busca de oportunidades para transição verde, mapeando potencialidades e desafios da economia de baixo carbono.

Um projeto inovador está percorrendo os nove estados do Nordeste com o objetivo de mapear oportunidades econômicas, setores produtivos, capacidades e competências que possam contribuir para a transição da região para uma economia de baixo carbono. Intitulada Futuros Verdes no Nordeste, a iniciativa é fruto de uma parceria entre o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

O projeto busca ouvir especialistas e representantes do setor produtivo a fim de transformar o conhecimento sobre sustentabilidade em orientações estratégicas que considerem a diversidade dos territórios nordestinos. Além disso, o mapeamento pretende identificar as necessidades de formação e capacitação de profissionais diante das novas exigências provocadas pelas mudanças climáticas e pela transformação dos modelos produtivos.

Diogo Araújo, biólogo e analista do CESAR, destaca que a transição para uma economia de baixo carbono não acontece de forma automática e ressalta a importância de compreender a complexidade desse processo. A região apresenta desafios significativos em relação às mudanças climáticas, sendo a caatinga um dos biomas mais ameaçados pela desertificação em todo o mundo, conforme apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Por outro lado, o Nordeste possui um grande potencial em energia renovável, sendo responsável por 92% de toda a energia eólica produzida no país. Além disso, a região abriga cinco das 10 maiores usinas solares do Brasil, evidenciando a oportunidade de desenvolvimento sustentável nesse setor.

Mário Cardoso, Gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destaca as potencialidades da região na bioeconomia, biodiversidade da caatinga e energias renováveis. No entanto, ressalta a necessidade de transformar esse potencial em desenvolvimento, levando em consideração diversos fatores como cadeia de produção, demanda do setor produtivo, viabilidade técnica e capacidade de implementação.

A formação de profissionais capacitados também se faz essencial para enfrentar os desafios das mudanças climáticas. Nicolis Amaral, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), ressalta a importância de ajustes na formação dos profissionais, visando atender às demandas por empregos verdes. A engenheira de descarbonização participa ativamente do projeto Futuros Verdes no Nordeste, que visa pensar estrategicamente na capacitação desses profissionais.

Portanto, transformar as potencialidades da região em desenvolvimento sustentável requer planejamento e agilidade. Cardoso alerta para a necessidade de agir rapidamente diante das exigências do mercado global, sobretudo em relação às questões ambientais. O desafio é evitar que a degradação ambiental comprometa as oportunidades de desenvolvimento da região antes que elas se transformem em cadeias produtivas consistentes.

Sair da versão mobile