O IPCA, índice que mede a inflação, é calculado a partir da coleta de informações sobre 377 produtos e serviços distribuídos em nove grupos. Em 2024, o grupo que mais pressionou a alta nos preços foi o de alimentos e bebidas, com um aumento de 7,69%, representando 1,63 pontos percentuais no IPCA. O destaque negativo ficou para o item carnes, que registrou um aumento de 20,84% no ano, o maior desde 2019.
Segundo o analista do IBGE, André Almeida, o comportamento dos preços das carnes ao longo do ano foi impactado por questões climáticas, como estiagens, ondas de calor e secas em diversas regiões do país. Esses fenômenos afetaram a produção de alimentos, resultando em uma menor oferta de animais para abate e, consequentemente, pressionando os preços para cima.
Almeida também ressaltou a influência do câmbio na inflação de 2024. Com a desvalorização do real em relação ao dólar, muitos produtores optaram por destinar parte de sua produção para o mercado externo, onde poderiam obter receitas em uma moeda mais valorizada. Além disso, produtos que possuem componentes importados foram impactados pelo câmbio, contribuindo para a alta dos preços.
Ao longo do ano, a inflação se manteve em território positivo em 11 meses, com apenas um mês de deflação em agosto. Esse cenário reflete a complexidade dos fatores que influenciam a inflação no país, incluindo questões climáticas, câmbio e o comportamento dos preços internacionais. A perspectiva para 2025 é de incertezas, mas as autoridades econômicas já estão traçando estratégias para lidar com os desafios que se apresentam.
