Em termos de acumulado anual, o IPCA apresenta um incremento de 1,92%, enquanto em um período de doze meses, a inflação atinge 4,14%. Este valor está consideravelmente acima dos 3,81% registrados nos doze meses anteriores, e demonstra um cenário de pressão inflacionária crescente. Para se ter uma ideia do contexto, no mesmo período do ano passado, o IPCA havia anotado um aumento bem mais moderado de 0,56%.
A escalada nos preços dos combustíveis, especialmente a gasolina, teve um papel predominante nesta trajetória inflacionária. O aumento de 4,59% no preço da gasolina teve um impacto direto de 0,23 ponto percentual na inflação de março. Também registraram altas consideráveis as passagens aéreas, com aumento de 6,08%, e desdobramentos em relação ao diesel, que subiu 13,90%. Apesar de esses últimos dois itens não terem provocado impacto tão significativo quanto a gasolina, foram importantes para o cenário geral.
No setor de alimentação e bebidas, as variações de preços mostraram-se igualmente preocupantes, com o leite longa vida e o tomate apresentando altas expressivas, de 11,74% e 20,31%, respectivamente. Juntos, esses produtos contribuíram com 0,12 ponto percentual para o IPCA.
O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, comentando sobre os dados, apontou que a instabilidade no cenário internacional está refletindo em alguns subitens, notadamente nos combustíveis. Gonçalves também ressaltou que a aceleração nos preços de alimentos, especialmente os destinados ao consumo em casa, foi notável, com um aumento de 1,94%, o mais alto desde abril de 2022.
Além do IPCA, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também apresentou uma alta, alcançando 0,91% em março, um salto de 0,35 ponto percentual sobre o resultado de fevereiro. O INPC acumula 1,87% no ano e 3,77% nos últimos doze meses, ultrapassando a taxa de 3,36% do ano anterior. Com esses resultados, o cenário econômico brasileiro continua a ser desafiador, exigindo atenção especial das autoridades e do público em geral.
