ECONOMIA – Indústria de transformação registra crescimento de 4,9% em fevereiro, mas permanece pressionada por juros altos e desaceleração econômica, aponta CNI.

Em fevereiro, o faturamento real da indústria de transformação no Brasil apresentou um crescimento de 4,9%, conforme dados recentes. Esse aumento ocorre após um avanço de 1,3% em janeiro, resultando em um ganho acumulado de 6,2% quando comparado a dezembro do ano passado. Apesar dessa sequência positiva no início de 2026, especialistas alertam que esse crescimento não representa uma recuperação sólida do setor, que ainda enfrenta desafios significativos, como as taxas de juros elevadas e uma desaceleração econômica em curso.

Quando analisamos o desempenho da indústria em um período mais extenso, o panorama se torna menos otimista. Em comparação ao mesmo bimestre do ano anterior, o faturamento da indústria de transformação registrou uma queda de 8,5% no início de 2026. Essa diminuição, conforme apontam os especialistas, reflete mais uma base de comparação enfraquecida do que uma melhoria estrutural nas operações industriais.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica de uma das principais entidades do setor, destaca que ainda é prematuro afirmar que o cenário negativo identificado desde a metade do ano passado esteja se reverte. A recuperação parece ser mais uma resposta pontual do que uma alteração na tendência de longo prazo.

Na análise dos indicadores de produção, as horas trabalhadas no setor cresceram 0,7% em fevereiro, marcando o segundo aumento consecutivo. No entanto, este avanço ainda não é suficiente para compensar as retrações acumuladas ao longo da segunda metade do ano passado, o que resulta em uma queda de 2,7% em comparação ao primeiro bimestre de 2025.

Outro indicador relevante, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), observou uma leve redução, passando de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro. Este nível também mostra uma queda de 1,6 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

No que se refere ao emprego, a situação se manteve estável, com uma leve queda de 0,1% em fevereiro em relação a janeiro. No acumulado do bimestre, esse indicador apresenta uma retração de 0,4% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, a massa salarial teve um crescimento de 0,9%, enquanto o rendimento médio registrou um aumento de 1,4%, sinalizando que, apesar dos desafios, ainda há movimentações positivas em alguns aspectos do mercado de trabalho.

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