ECONOMIA – Indústria cresce, mas emprego continua em queda: mercado enfrenta desafios mesmo com aumento no faturamento em novembro de 2025, aponta Confederação Nacional da Indústria.

Em novembro de 2025, o setor industrial brasileiro mostrou um crescimento no faturamento real, que aumentou 1,2% em relação ao mês anterior. No entanto, esse avanço no desempenho econômico da indústria não foi suficiente para impedir um cenário preocupante no mercado de trabalho do setor, que continua apresentando sinais de desaceleração. De acordo com dados recentes de indicadores industriais, o emprego na indústria de transformação sofreu uma queda de 0,2%, marcando a terceira retração consecutiva.

A diminuição no ritmo de contratação de trabalhadores intensificou-se a partir de setembro, um reflexo direto dos impactos do aperto monetário e do esgotamento gradual da atividade industrial ao longo do segundo semestre. Essa dinâmica tem preocupado especialistas, que observam que a recuperação do emprego esteve atrelada à melhora das atividades econômicas registradas em 2023, cujo auge ocorreu no ano anterior.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou que a elevação da taxa Selic, iniciada no ano passado, foi um fator determinante para essa perda de força no emprego industrial. Nas palavras de Azevedo, “apenas após meses com resultados menos positivos na atividade industrial, o emprego começou a ser afetado”, sublinhando que a rotatividade de funcionários gera custos relevantes para as empresas, que dependem de mão de obra especializada.

Embora tenha havido uma ligeira recuperação em outros indicadores relacionados ao mercado de trabalho em novembro, como um aumento de 1,5% na massa salarial real, o acumulado do ano ainda apresenta uma queda de 2,3%. O rendimento médio real também teve um incremento de 1,6% no mesmo mês, mas foi ofuscado por uma diminuição de 4% desde o início do ano.

Além disso, apesar do crescimento no faturamento em novembro, a atividade industrial como um todo demonstra sinais consistentes de desaceleração. O número de horas trabalhadas na produção caiu 0,7% em novembro, embora tenha mostrado uma alta de 0,9% no acumulado do ano. A utilização da capacidade instalada teve uma queda de 0,6 ponto percentual, situando-se em 77,5%, que está 2,4 pontos percentuais abaixo dos níveis observados no mesmo período de 2024.

A CNI aponta que essa desaceleração no crescimento do faturamento ao longo de 2025 reforça as expectativas de um arrefecimento na indústria, especialmente na segunda metade do ano, em um cenário caracterizado por taxas de juros elevadas e uma demanda com menor dinamismo. O desafio permanece para a indústria, que precisa encontrar formas de adaptar-se a essa nova realidade econômica.

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