Telles observou que, em 2024, quando a taxa Selic era mais baixa, a demanda por produtos industriais cresceu substancialmente, quatro vezes mais do que no ano seguinte, evidenciando como juros elevados frustram o apetite do consumidor e comprometem a performance do setor produtivo. Essa situação culminou em estoques acima do esperado e em uma queda de 0,2% na produção da indústria de transformação, a qual é responsável por transformar matérias-primas em bens de consumo.
A pressão externa também se intensificou, com um aumento de 15,6% nas importações de bens de consumo em relação ao ano anterior, preenchendo lacunas deixadas pela indústria nacional em um momento em que a produção local estava em desaceleração. Essa combinação de fatores não só obscureceu as perspectivas do setor industrial, mas também impactou negativamente o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), que alcançou o pior desempenho para o mês em uma década, refletindo um estado de pessimismo persistente entre os empresários.
Esse desânimo, que se mantém há 13 meses com o índice abaixo dos 50 pontos, gera preocupações sobre a propensão à realização de investimentos essenciais para modernização e expansão das fábricas. A CNI alerta que, caso a política de juros não seja reavaliada e não haja estímulos efetivos à demanda interna, o risco de estagnação pode se agravar, afetando a trajetória econômica do país no curto prazo. A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçou esse diagnóstico, com o crescimento da produção industrial em 2025 limitando-se a apenas 0,6%, um contraste marcante em relação aos 3,1% registrados no ano anterior.
