ECONOMIA – Indústria Brasileira Cresce Apenas 0,6% em 2025, Atingida por Juros Altos e Desaceleração no Consumo Familiar

Indústria Brasileira: Um Panorama do Crescimento em 2025 sob Alta dos Juros

No cenário econômico brasileiro de 2025, a indústria experimentou um crescimento modesto de 0,6%. Esse resultado, embora baixo, marca o terceiro ano consecutivo de expansão na produção industrial do país. No entanto, a trajetória ascendente deu lugar à desaceleração nos últimos meses do ano, refletindo os desafios impostos pela alta taxa de juros, uma estratégia monetária adotada para conter a inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que, até junho de 2025, a produção industrial acumulava um crescimento de 1,2% em relação ao ano anterior. Porém, a segunda metade do ano proporcionou um panorama diferente, caracterizado pela estagnação, com uma variação nula (0%) no mesmo comparativo e um recuo de 1,9% apenas entre setembro e dezembro. Esse quadro foi particularmente alarmante em dezembro, quando a produção industrial caiu 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024.

Os dados disponíveis delineiam a situação da indústria em relação ao período pré-pandêmico: o crescimento ficou 0,6% acima dos níveis de fevereiro de 2020, mas ainda 16,3% abaixo do pico registrado em maio de 2011. A análise dos setores mostra que, no último ano, houve crescimento em apenas duas das quatro grandes categorias econômicas. Os bens de consumo duráveis apresentaram uma alta de 2,5%, enquanto os bens intermediários cresceram 1,5%. Em contrapartida, bens de consumo semi e não duráveis e bens de capital enfrentaram quedas significativas.

Os elevados níveis de juros foram apontados como uma das principais causas para a desaceleração da indústria, com o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo, destacando que a restrição monetária influencia diretamente as decisões de investimento das empresas e o consumo das famílias. As altas taxas de juros, que atingiram 15% em junho de 2025, também geraram um aumento na inadimplência, tornando os empréstimos mais caros e impactando o comportamento do consumidor.

Por fim, a inflação, que manteve-se por meses acima da meta estabelecida pelo governo, e a política restritiva do Banco Central para conter sua alta, influenciaram não apenas a velocidade da economia, mas também as expectativas de empregabilidade. Apesar de uma economia em desaceleração, o ano terminou com uma taxa de desemprego nas mínimas históricas, revelando um quadro complexo e desafiador para a recuperação industrial brasileira. A jornada para um crescimento robusto e sustentável require um equilíbrio delicado entre controle da inflação e estímulo ao investimento e ao consumo.

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