ECONOMIA – Indústria brasileira ainda explora pouco serviços agregados aos produtos, aponta CNI – com Jornal Rede Repórter

A indústria brasileira ainda oferece poucos serviços associados à venda de produtos, como manutenção, instalação, personalização e pós-venda. É o que revela a Sondagem Especial nº 100: Serviços na Indústria, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, 41% das empresas entrevistadas afirmaram não oferecer nenhum tipo de serviço aos clientes, enquanto 40% ofertam serviços, mas apenas 16% cobram por eles.

De acordo com o especialista em Políticas e Indústria da CNI, Rafael Sales Rios, países desenvolvidos vêm passando por um processo conhecido como “servitização”, no qual os serviços se tornam parte cada vez mais relevante dos produtos comercializados. Ele cita como exemplo o mercado de smartphones, em que boa parte da receita já vem de serviços associados aos aparelhos, e não apenas da venda do equipamento.

Segundo o estudo, o Brasil ainda vive uma fase intermediária desse processo. Alguns segmentos industriais já incorporam serviços de maior valor agregado, enquanto outros permanecem concentrados apenas na produção tradicional.

A pesquisa também mostra que os serviços especializados ajudam tanto na redução de custos quanto no aumento do valor agregado dos produtos industriais. A cada R$ 100 faturados, as empresas destinam R$ 19 à contratação de serviços, sendo que um quarto desse valor corresponde a serviços industriais especializados.

Entre os serviços mais contratados pelas indústrias estão manutenção e reparo de máquinas, transporte e logística, consultorias administrativas e jurídicas, softwares especializados, computação em nuvem e inteligência artificial. O levantamento aponta ainda que serviços voltados à inovação e qualificação dos produtos, como marketing, pesquisa e desenvolvimento e soluções tecnológicas, ainda são menos utilizados pela maior parte das empresas.

Os setores de vestuário, celulose e papel, higiene pessoal, farmacêutico, equipamentos eletrônicos, máquinas e móveis aparecem entre os que mais investem em serviços especializados, tanto para reduzir custos quanto para agregar valor aos produtos.

O levantamento revela também que empresas exportadoras utilizam mais serviços especializados do que aquelas voltadas apenas ao mercado interno. Entre as indústrias que exportam, 63% contratam serviços voltados à qualificação dos produtos, percentual superior ao registrado entre empresas não exportadoras.

Apesar disso, sete em cada dez indústrias afirmam enfrentar dificuldades para contratar serviços especializados. Os principais problemas apontados são o alto custo, a dificuldade de encontrar fornecedores qualificados e falhas na qualidade dos serviços prestados.

Para a CNI, ampliar a integração entre indústria e serviços pode fortalecer a competitividade brasileira, estimular inovação e gerar empregos de maior qualificação.

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