As vendas de veículos, por sua vez, apresentaram uma queda de 0,4% em relação a janeiro de 2025, além de uma impressionante retração de 39% se comparadas ao mês anterior. No total, foram licenciados 170,5 mil veículos em janeiro. Embora a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tenha avaliado que o volume anual de vendas se manteve “praticamente estável”, o cenário continua a preocupar os especialistas do setor, especialmente devido a um dia útil a menos neste mês em relação ao anterior.
Embora os números gerais indiquem um cenário desafiador, alguns segmentos apresentaram resultados positivos. Os automóveis mostraram um aumento de 1,4% nas vendas anuais, enquanto os comerciais leves avançaram 3%. Contudo, os veículos pesados enfrentaram queda significativa nas vendas, com as de ônibus recuando 33,9% e as de caminhões, 31,5%.
Outro ponto relevante é o crescimento dos veículos eletrificados, que agora representam 16,8% do total de vendas, um recorde histórico. Este aumento é incentivado, pois 35% dos veículos eletrificados vendidos no país são produzidos localmente. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que mais de 27 mil unidades eletrificadas foram emplacadas, das quais 9,6 mil foram produzidas no Brasil.
No contexto das exportações, houve uma queda alarmante de 18,3% em comparação ao mesmo mês do ano passado, totalizando 25,9 mil unidades exportadas. A Anfavea atribui esse retrocesso, em grande parte, à diminuição de 5% nos embarques para a Argentina, um dos principais mercados para os automóveis brasileiros.
Ainda em uma coletiva de imprensa, Calvet expressou satisfação com a decisão do governo em não prorrogar a isenção de impostos para a importação de kits de veículos desmontados, que expirou em janeiro. Ele considerou essa medida crucial para estimular a produção local e, assim, gerar empregos no Brasil. O presidente também comentou sobre o programa “Carro Sustentável”, que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos com alta eficiência energética, mas não acredita na possibilidade de prorrogação devido às futuras reformas tributárias.
Além disso, a iniciativa “Move Brasil”, que oferece crédito para a compra de caminhões, foi mencionada como uma expectativa de recuperação para o setor, com impactos esperados já nos próximos meses. A situação permanece em foco, enquanto a indústria automotiva busca alternativas para atravessar esse período de desafios e se adaptar às novas demandas do mercado.







