As apostas não apenas se configuram como uma forma de entretenimento, mas também impõem um risco financeiro considerável às famílias. Aproximadamente 270 mil lares enfrentam a chamada “inadimplência severa”, caracterizada por atrasos superiores a 90 dias nas obrigações financeiras. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) alerta que essa situação gera um efeito dominó no consumo, uma vez que o dinheiro que poderia ser direcionado à compra de bens e serviços está sendo desviado.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, declarou que, em momentos de crise, os gastos com itens não essenciais tendem a ser os primeiros a serem cortados. Isso se reflete na redução de compras, como a troca de celulares ou a aquisição de vestuário, evidenciando uma mudança no comportamento do consumidor diante de dificuldades financeiras.
A análise do impacto das apostas sobre o endividamento revela que homens, famílias de baixa renda, pessoas acima dos 35 anos e indivíduos com maior escolaridade são os mais afetados. Contudo, até mesmo famílias com rendimentos mais altos têm sentido a pressão das apostas, muitas vezes desviando recursos que deveriam ser usados para pagamentos de contas em favor das apostas.
Em resposta ao cenário alarmante, o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, pediu a implementação de políticas públicas regulatórias que abranjam as plataformas de apostas, enfatizando a necessidade de proteger os consumidores brasileiros. Tadros destacou que o problema já ultrapassa os limites individuais, tornando-se um desafio macroeconômico.
As estatísticas de endividamento são alarmantes, com cerca de 80,4% das famílias enfrentando dificuldades financeiras, um aumento considerável em comparação ao início de 2022. Diante dessa realidade, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) questionou a metodologia usada pela CNC em suas avaliações, chamando a atenção para a necessidade de transparência nos dados apresentados e defendendo uma abordagem mais equilibrada em relação às apostas eletrônicas. O IBJR argumenta que as conclusões podem ser excessivamente alarmistas e não refletem a totalidade da situação financeira das famílias.

