ECONOMIA – Impostos elevam custo do Carnaval e chegam a até 57% do preço de itens – com Jornal Rede Repórter

Um levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indica que a carga tributária sobre itens típicos do Carnaval pode alcançar até 56,40% do preço final ao consumidor. Os dados têm como base o Impostômetro, ferramenta desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Segundo o estudo, os produtos mais tributados durante o período carnavalesco são whisky, chope, máscara de lantejoulas, caipirinha e cachaça. Entre eles, o whisky lidera o ranking, com 56,40% de tributos embutidos no preço. Em seguida aparecem a máscara de lantejoulas (46,38%), a fantasia de Carnaval (45,66%), o chope (44,39%) e bijuterias (42,43%). O colar havaiano também figura entre os itens mais onerados, com 38,97% de carga tributária.

De acordo com o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP), o cenário tributário não apresentou mudanças relevantes em relação ao ano anterior, o que mantém os preços pressionados. “A carga tributária sobre os produtos da folia continua muito elevada. Como não houve alterações significativas nas alíquotas, os preços seguem altos, impactando diretamente o orçamento das famílias neste início de ano”, afirmou.

Ruiz de Gamboa explica que a tributação elevada decorre da estrutura do sistema tributário brasileiro, que incide fortemente sobre bens de consumo. No caso das bebidas alcoólicas, segundo ele, a justificativa costuma estar associada a políticas de desestímulo ao consumo excessivo. Já para artigos como máscaras e fantasias, o economista avalia que não há explicação clara para o nível de tributação aplicado.

Como alternativa para reduzir os gastos, o economista recomenda o reaproveitamento de fantasias e o uso da criatividade. “Para quem não deseja arcar com quase metade do preço em impostos, reutilizar peças ou criar fantasias alternativas pode ser a melhor opção para aproveitar a festa”, disse.

Ele acrescenta que a carga tributária brasileira é comparável à de países desenvolvidos, como o Reino Unido, apesar de o Brasil apresentar renda per capita significativamente inferior. “Essa diferença torna o peso dos impostos ainda mais sensível para o consumidor brasileiro”, concluiu.

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