ECONOMIA – Ibama é criticado por FUP devido a atrasos na autorização para exploração de petróleo na Margem Equatorial, que pode custar milhões ao país.

A discussão em torno da exploração de petróleo na Margem Equatorial ganhou novos contornos após a crítica da Federação Única dos Petroleiros (FUP) à lentidão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em tomar decisões. De acordo com a FUP, a demora na autorização de atividades de exploração por parte da Petrobras está gerando custos significativos para o país, estimados em mais de R$ 4 milhões por dia, devido ao aluguel de sondas de perfuração.

A Margem Equatorial é considerada uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás, especialmente após descobertas exitosas na Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Essa região, que se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá, é vista como um potencial reservatório com características semelhantes às do pré-sal. A Petrobras, operadora no local, já possui poços, mas apenas conseguiu autorização para explorar dois deles na costa potiguar.

A FUP criticou publicamente a prorrogação de uma reunião entre o Ibama e a Petrobras referente à Avaliação Pré-Operacional (APO), uma etapa crucial que simula um vazamento de óleo e verifica as condições emergenciais. O coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, questiona a falta de justificativas técnicas para o adiamento e enfatiza a urgência da questão, destacando que a sonda de perfuração está estagnada há mais de 20 dias à espera de aprovação que permitiria o avanço das operações.

Em resposta, o Ibama reiterou a data da reunião para 12 de agosto, considerando a complexidade da situação na bacia da Foz do Amazonas e o rigor técnico necessário para a avaliação. O instituto destacou sua compromisso em garantir que o licenciamento ambiental siga os padrões exigidos, o que implica em um processo que pode ser demorado, mas é essencial para proteger o meio ambiente.

A pressão sobre o Ibama não vem apenas de operadores do setor, como a Petrobras, mas também de especialistas e ambientalistas que ressaltam as contradições da exploração de combustíveis fósseis em um contexto de transição energética sustentável. As discussões em torno dessa questão revelam um cenário complexo, onde interesses econômicos e ambientais precisam ser equilibrados para garantir o futuro energético do Brasil sem comprometer seu patrimônio natural.

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