Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) imediatamente expressaram sua preocupação, afirmando que essa medida cria uma condição vantajosa para fabricantes estrangeiros em detrimento dos produtores nacionais. De acordo com a CNI, os efeitos negativos dessa política serão sentidos principalmente pelas micro e pequenas empresas, que já enfrentam dificuldades em um mercado competitivo, podendo levar à perda de empregos e ao fechamento de negócios.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) reagiu com veemência, caracterizando a revogação como “extremamente equivocada”. A entidade destacou que a mudança amplia a desigualdade tributária, impondo uma carga elevada sobre empresas brasileiras, enquanto concede vantagens a concorrentes internacionais. A Abit alertou ainda sobre um possível impacto negativo na arrecadação do governo, citando dados que indicam um aumento significativo na receita do imposto nos primeiros meses de 2026.
Adicionalmente, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) também manifestou sua oposição à nova regra, considerando-a um retrocesso econômico que atinge diretamente a indústria e o varejo nacional. Com a proteção de cerca de 18 milhões de empregos em jogo, a Abvtex solicitou a implementação de medidas compensatórias para mitigar os impactos adversos da decisão.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) celebrou o desmantelamento da taxa, argumentando que a tributação era regressiva e limitava o poder aquisitivo de classes menos favorecidas. Assegurou que a atual reforma não apenas promoveria um acesso mais igualitário ao consumo, mas também não cumpria sua proposta original de fortalecer a competitividade da indústria local.
Compreendendo a complexidade da situação, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou durante a assinatura da Medida Provisória que a decisão foi viabilizada por esforços contínuos no combate ao contrabando e pela regulamentação mais efetiva do setor ao longo dos últimos três anos. Contudo, ressaltou que a cobrança de 60% sobre compras que excedam US$ 50 permanece inalterada, mantendo uma estrutura de tributação diferenciada. A análise dos desdobramentos desta medida deve se intensificar nas próximas semanas, à medida que as partes envolvidas se adaptam a um novo cenário econômico.
