Nesta semana, o governo federal anunciou oficialmente a criação do Programa Rotas de Integração Sul-Americana, uma iniciativa que promete transformar o cenário logístico do Brasil em relação a seus vizinhos e até mesmo com nações asiáticas. O principal objetivo do programa é otimizar o transporte de mercadorias, reduzindo tanto o tempo quanto os custos envolvidos nas operações comerciais entre o Brasil e os países da América do Sul.
A proposta contempla a integração de diversas infraestruturas — física, digital, social, ambiental e cultural — entre as nações sul-americanas. A portaria que institui o programa foi assinada pela ministra Simone Tebet e publicada no Diário Oficial da União, formalizando cinco rotas específicas de integração. Essas rotas foram escolhidas após um processo de consulta aos 11 estados brasileiros que fazem fronteira com outras nações da região.
O programa não se limita apenas à construção de estradas ou ferrovias; ele também pretende envolver estudos técnicos e pesquisas sobre a multimodalidade de transportes, a conectividade energética e digital, além de aspectos geoeconômicos e fronteiriços. Essa abordagem abrangente reflete a intenção do governo de criar um ambiente mais cooperativo entre os países sul-americanos, explorando novas potencialidades e oportunidades de negócios.
As cinco rotas estratégicas delineadas pelo programa são:
- Ilha das Guianas: abrange a parte norte do Brasil, conectando-se com a Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela.
- Amazônica: conecta o norte brasileiro à Colômbia, Equador e Peru.
- Quadrante Rondon: interliga o norte e centro-oeste do Brasil ao Peru, Bolívia e Chile.
- Bioceânica de Capricórnio: liga as regiões centro-oeste, sudeste e sul a Paraguai, Argentina e Chile.
- Bioceânica do Sul: conecta o sul do Brasil a Uruguai, Argentina e Chile.
Essa iniciativa surge em um contexto onde o Brasil, historicamente, tem priorizado o comércio com nações da Europa e dos Estados Unidos, por meio de rotas atlânticas. Entretanto, a mudança de foco para a integração regional é vista como uma resposta necessária à evolução do comércio global, que tem direcionado cada vez mais a produção e o comércio para os estados do Centro-Oeste e do Norte do Brasil, além de reforçar os laços comerciais com países asiáticos. Ao criar essas rotas de integração, o governo busca não apenas fortalecer a economia brasileira, mas também fomentar um espírito de colaboração com seus vizinhos sul-americanos, alinhando interesses e potencializando o comércio regional.






