ECONOMIA – Governo Central encerra 2025 com déficit primário de R$ 61,69 bilhões pressionado por gastos com Previdência e benefícios sociais.

O Governo Central, que abrange o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, encerrou o ano de 2025 com um déficit primário de R$ 61,69 bilhões, representando 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), um reflexo direto do aumento dos gastos obrigatórios, como a Previdência Social e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Essa informação foi revelada pelo Tesouro Nacional em um relatório divulgado recentemente, que também apontou um superávit primário de R$ 22,1 bilhões em dezembro.

Os dados indicam uma complexa dinâmica fiscal, na qual o superávit de R$ 255,5 bilhões registrado pelo Tesouro e pelo Banco Central foi superado por um déficit de R$ 317,2 bilhões na Previdência. Em termos de receitas e despesas, a arrecadação líquida mostrou um crescimento de 2,8% (R$ 64,3 bilhões), enquanto as despesas cresceram 3,4% (R$ 79,1 bilhões). Esse déficit primário de 2025 teve um aumento real de 32,3% em comparação a 2024, quando o valor foi de R$ 42,92 bilhões (0,36% do PIB). Esse crescimento é atribuído não apenas às despesas com enchentes no Rio Grande do Sul, mas também ao aumento geral dos gastos com a Previdência e o BPC.

Embora o resultado final tenha ficado aquém das previsões de instituições financeiras, que projetavam um déficit maior, é importante considerar as novas diretrizes fiscais implementadas, que estabelecem uma meta de déficit primário em zero, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. Isso resulta em um limite inferior de até R$ 31 bilhões em déficit, destacando a necessidade de controle rigoroso sobre as contas públicas.

No detalhamento das receitas, a arrecadação teve um desempenho notável em diversas categorias, com destaque para um aumento de 5,2% na receita do imposto de renda e um crescimento significativo no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No entanto, as receitas com dividendos e participações caíram, especialmente em decorrência da diminuição dos repasses da Petrobras e do BNDES.

Por outro lado, do lado das despesas, os benefícios previdenciários e o BPC foram os responsáveis por aumentos consideráveis, impulsionados pelo crescimento do número de beneficiários e pelo reajuste do salário-mínimo. Apesar de uma redução drástica nos gastos extraordinários em relação ao ano anterior, a combinação de um cenário fiscal desafiador e a necessidade de equilibrar receitas e despesas continuam a ser um tema central nas discussões econômicas do país.

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