Nos últimos meses, as reclamações ao Procon-SP referentes à Copa foram alarmantes. O órgão viu um crescimento exponencial no número de queixas, passando de 19 em março para 156 em maio deste ano. Essa escalada levanta preocupações sobre a vulnerabilidade dos consumidores e a necessidade de intensificar a consciência sobre segurança digital.
Um aspecto marcante dessa nova onda de fraudes é a agilidade com que os golpistas atuam. Enquanto, há quatro anos, criminosos exigiam tempo e conhecimento técnico substancial para desenvolver seus golpes, atualmente, com a ajuda de inteligência artificial, os golpes podem ser implementados em poucas horas. Marcelo Souza, vice-presidente da Certta, uma empresa de autenticação antifraude, destaca que a personalização dos golpes também se tornou comum, com criminosos utilizando dados vazados para construir abordagens direcionadas e mais eficazes.
Outra mudança significativa se refere aos métodos de pagamento. Se, em 2022, cartões de crédito e boletos dominavam, em 2026, o sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix tornou-se o principal alvo dos golpistas. Sua natureza irreversível torna difícil para as vítimas recuperarem valores após uma fraude. Além disso, criminosos começaram a criar marcas fictícias que se apresentam como parceiras oficiais do evento, ganhando a confiança de suas vítimas antes da execução dos golpes, o que aumenta ainda mais a complexidade do problema.
As redes sociais emergem como o principal canal para a disseminação de fraudes. Os dados revelam que plataformas como Instagram, WhatsApp e Facebook são amplamente utilizadas por golpistas para aliciar vítimas. As modalidades de fraude incluem apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos pirateados.
A verdade é que o fenômeno das fraudes não se limita apenas ao mundo virtual; ele se estende também ao comércio físico. O Procon-SP tem registrado ocorrências significativas relacionadas a compras de figurinhas e álbuns da Copa, com um incremento alarmante nas reclamações.
Diante deste cenário preocupante, a crescente presença da inteligência artificial representa um novo desafio tanto para consumidores quanto para empresas, intensificando a crise de confiança no mundo digital. Marcelo Souza enfatiza a necessidade urgente de adoção de tecnologias avançadas que possam assegurar a autenticidade e monitorar comportamentos suspeitos em tempo real.
Em resposta a essa crise, o Procon-SP oferece uma série de orientações aos consumidores, incluindo dicas de precauções para evitar cair em golpes. As recomendações incluem checar a reputação de lojas, desconfiar de ofertas exageradamente baratas e, em compras de figurinhas, assegurar que os produtos são oficiais e de fornecedores identificáveis. Tais medidas são fundamentais para proteger os consumidores em uma era onde as fraudes se diversificam e permeiam cada vez mais o cotidiano, especialmente em períodos de grande expectativa como a Copa do Mundo.





