A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 15% ao ano — um nível que não era visto há quase duas décadas. Essa taxa elevada tem efeitos diretos na atividade econômica, razão pela qual o FMI reforça que a perspectiva diminuída para 2026 reflete, em parte, os impactos retroativos do aperto monetário. Apesar das projeções estarem ligeiramente mais otimistas para os anos de 2025 e 2027, com aumentos nas estimativas de crescimento, a realidade do cenário econômico brasileiro ainda é marcada pelas consequências da elevada taxa de juros, que continua a frear a expansão econômica no curto prazo.
Enquanto isso, no âmbito global, o FMI revisou para cima suas expectativas, prevendo um crescimento de 3,3% em 2026, impulsionado principalmente pelo aumento nos investimentos em tecnologia e inteligência artificial. O economista-chefe da instituição, Pierre-Olivier Gourinchas, ressaltou a força resiliente da economia mundial, que tem conseguido lidar com as tensões comerciais mais favoravelmente do que se esperava.
No contexto da América Latina, a expectativa de crescimento é mais promissora, com projeções de 2,2% para 2026 e 2,7% para 2027, superando a performance esperada do Brasil. Além disso, economias emergentes e em desenvolvimento da região devem registrar um crescimento de 4,2% em 2026, evidenciando ainda mais o caráter isolado da revisão negativa brasileira.
O FMI, mesmo com um panorama global otimista, alertou que o crescimento está concentrado em poucos países e setores, particularmente aqueles relacionados à inteligência artificial. Caso as expectativas de ganhos de produtividade não se concretizem, correções nos mercados financeiros podem ocorrer, aumentando a cautela em relação ao futuro econômico do Brasil. A elevada carga de juros continua a ser um fator limitante importante, tornando a perspectiva para o país um tema central nas conversas sobre sua recuperação econômica.
