Os pesquisadores ressaltam que, enquanto a elevação dos custos trabalhistas para grandes empresas é relativamente pequena (cerca de 7,84% do custo total), o impacto torna-se mais significativo para as pequenas empresas, onde as despesas com mão de obra podem representar uma parcela maior do total. Isso implica a necessidade de políticas públicas para apoiar esses estabelecimentos na adaptação às novas exigências.
Além dos aspectos financeiros, o estudo destaca a importância dessa mudança como uma ferramenta potencial para mitigar desigualdades sociais. A jornada de 44 horas semanais tende a concentrar empregados com menor renda e escolaridade. Assim, a redução das horas trabalhadas poderia equalizar a distribuição de oportunidades, promovendo uma elevação no valor da hora de trabalho para esses profissionais. A pesquisa revela que a remuneração média para trabalhadores com jornadas de 40 horas semanais é de R$ 6,2 mil, enquanto aqueles que trabalham 44 horas recebem menos da metade.
Uma fração considerável do mercado de trabalho ainda opera sob a jornada tradicional de 44 horas, sendo que, dos 44 milhões de vínculos registrados, 74% têm essa carga horária. A mudança se faz ainda mais complexa nas pequenas empresas, onde até 88,6% dos trabalhadores estão submetidos a jornadas prolongadas, em contraste com a média nacional. A discussão sobre a redução da jornada de trabalho já integra a pauta do Congresso, com propostas em avaliação.
Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinalizou que a análise de propostas relacionadas a esse tema será uma prioridade este ano, envolvendo líderes políticos em um debate crucial para a agenda trabalhista do Brasil.







