Os regimes de montagem CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) são apresentados como soluções cômodas para reduzir custos, mas o estudo enfatiza que seu uso amplo pode trazer repercussões negativas, não apenas em termos de emprego, mas também para os fabricantes de autopeças e a balança comercial do Brasil. Os cálculos apontam para uma possível perda econômica de até R$ 103 bilhões para a indústria de autopeças e uma diminuição de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um único ano. Além disso, as exportações de veículos poderiam sofrer uma queda de R$ 42 bilhões, questionando a saúde financeira do setor.
O sistema CKD consiste na importação de veículos totalmente desmontados, que necessitam de processos como soldagem e pintura na produção local. Já o SKD refere-se a veículos importados em grandes conjuntos, que requerem uma montagem simplificada. Atualmente, a montadora chinesa BYD utiliza principalmente o modelo SKD em sua instalação em Camaçari, na Bahia.
O governo brasileiro, em uma tentativa de incentivar a indústria de veículos elétricos e híbridos, concedeu uma cota de importação com isenção de impostos, que beneficia particularmente a BYD. Isso gerou insatisfação entre montadoras tradicionais como Toyota e Volkswagen, que se sentem prejudicadas.
Com a data de expiração da isenção à vista, a Anfavea pressionou o governo para não renovar essa medida, alertando para o risco de comprometer a complexidade e a qualificação da indústria automotiva nacional. Igor Calvet, presidente da Anfavea, defende que as montadoras estabelecidas estão prontas para competir, mas que isso deve ocorrer em um ambiente justo, com regras equitativas para todos. Em seu manifesto, a associação argumenta contra a renovação da isenção, destacando que isso poderia perpetuar uma estrutura produtiva dependente, sem benefícios substanciais para a economia nacional.
Até o momento, a montadora BYD não se pronunciou sobre as preocupações levantadas, enquanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços confirmou que não há pedidos para renovar a isenção de importação, à medida que o prazo se aproxima do fim. A situação coloca em evidência os desafios que o Brasil enfrenta para equilibrar a continuidade da indústria automotiva local e a concorrência internacional.
