A pesquisa, que coleta dados de 18 mil famílias em todo o país, também apontou que o endividamento é particularmente prevalente entre aquelas que têm uma renda de até três salários mínimos, atingindo 82,5%. Em contrapartida, nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice de endividamento cai para 68,3%. Com o salário mínimo estipulado em R$ 1.621, a disparidade no endividamento evidencia a vulnerabilidade financeira das famílias de menor renda.
Analisando o perfil das dívidas, o cartão de crédito se destacou como a principal forma de endividamento, afetando 85,4% das famílias. Outras fontes de dívida incluem carnês, crédito pessoal e financiamentos de casa e carro. Em média, as famílias gastam 29,7% de sua renda com dívidas, e uma em cada cinco enfrenta a situação preocupante de ter mais da metade de seus rendimentos comprometidos.
Outro dado relevante diz respeito à inadimplência, que teve um leve recuo, marcando 29,3% em janeiro. Esse percentual reflete uma diminuição contínua ao longo de três meses. Entretanto, a taxa de inadimplência é mais alta entre as famílias de menor renda, atingindo 38,9% entre aquelas que ganham até três salários mínimos. O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas alcançou 64,8 dias, e 12,7% das famílias relataram que não conseguirão honrar suas obrigações financeiras.
O cenário se torna ainda mais complicado devido ao contexto econômico caracterizado por juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, o maior índice desde 2006. Essa alta taxa encarece o crédito e, consequentemente, dificulta a amortização das dívidas, criando um ciclo de aperto financeiro.
As projeções para os próximos meses indicam que o endividamento continuará a aumentar, podendo chegar a 80,4% em junho. No entanto, a expectativa é que a inadimplência diminua, com uma possível redução para 28,9%. Economistas sugerem que a queda nas taxas de juros, prevista para março, pode amenizar um pouco a pressão sobre as famílias, embora os efeitos dessa mudança não sejam imediatos.
Em suma, o panorama atual revela um dilema: o endividamento excessivo se torna um reflexo das estratégias de consumo das famílias, mas a crescente inadimplência e o cenário de juros altos trazem à tona a urgência de uma reflexão sobre a saúde financeira da população.
