O Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de bens e serviços produzidos no Brasil, não deve ser impactado apenas pela instabilidade internacional, mas também por uma série de dinâmicas internas. O Ipea mencionou que, embora o mundo atravesse um momento de alta tensão geopolítica, como desde o fim da Guerra Fria, há razões para um “moderado otimismo”.
Um dos pilares do crescimento econômico está no consumo das famílias brasileiras, impulsionado principalmente pelo aumento real do salário mínimo. Este fator é considerado um dos motores essenciais da economia, como atesta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o volume de crédito disponível pelo sistema financeiro nacional pode facilitar investimentos privados, que também colaboram para o aumento do PIB.
A análise do Ipea enfatiza que o crescimento do PIB não se baseia apenas no consumo e em investimentos privados, mas também considera as despesas do Estado e a balança comercial, que é influenciada por exportações e importações. O novo arcabouço fiscal do governo, focado no aumento de gastos públicos de natureza social e no crescimento das receitas governamentais, é um componente crucial nesse cenário.
O comércio exterior brasileiro estaria se beneficiando de políticas fiscais expansivas, direcionadas também por investimentos em áreas como inteligência artificial e pelo incremento nos gastos com armamentos, em função do conflito no Oriente Médio. O Ipea salienta que, mesmo com a guerra na Ucrânia, o comércio global cresceu 5,8% em 2022, refletindo uma resiliência importante do mercado.
Caso a previsão se confirme, o período de 2023 a 2026 poderia revelar um crescimento cumulativo de 10,7%, superando as marcas dos quadriênios anteriores. Com isso, o desempenho esperado seria 5 pontos percentuais maior do que o registrado entre 2019 e 2022 e 0,8 ponto percentual acima do quadriênio anterior a esse. Para 2027, o Ipea estima uma continuidade do crescimento, projetando um aumento de 2%.






