ECONOMIA – Dólar atinge maior valor em três meses; bolsa sobe impulsionada por ações de grandes empresas e expectativa sobre política monetária dos EUA.

Na terça-feira, 23 de outubro, o dólar registrou um avanço significativo, encerrando o dia com alta de 0,89%, cotado a R$ 5,187, o maior valor de fechamento em quase três meses. A moeda chegou a atingir R$ 5,19 durante a sessão, refletindo uma crescente aversão ao risco por parte dos investidores globais. Esse movimento foi impulsionado pela preocupação com novos indicadores de inflação nos Estados Unidos, que influenciam as decisões do Federal Reserve sobre a taxa de juros. A expectativa por uma política monetária mais restritiva no país aumentou à medida que indicadores econômicos mostraram resultados superiores às previsões.

Paralelamente, o mercado de ações brasileiro teve uma leve valorização, com o índice Ibovespa subindo 0,52%, fechando aos 171.258 pontos. Isso aconteceu após um início de dia negativo, onde o índice acompanhou a tendência de queda dos mercados internacionais, especialmente diante da forte retração das ações de tecnologia nos Estados Unidos. A recuperação do Ibovespa foi impulsionada pelo desempenho positivo de grandes empresas, como Petrobras e bancos, além da ligeira queda nas taxas de juros futuros. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada mais cedo, também contribuiu para essa melhora, uma vez que sinalizou a possibilidade de pausa nos cortes de juros, dependendo do cenário global.

Entretanto, o cenário externo não estava isento de preocupações. Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq caiu cerca de 2%, afetado pela realização de lucros no setor de tecnologia e pela expectativa em relação ao índice de preços de gastos com consumo, que é um indicador crucial para o Fed monitorar a inflação. Ao mesmo tempo, dados fracos da economia europeia ampliaram a cautela entre os investidores.

No que diz respeito ao mercado de petróleo, houve uma queda nos preços, com o contrato do Brent para setembro recuando 0,93%, a US$ 76,80 por barril. O WTI, referência do Texas, também teve um desempenho negativo, encerrando a sessão a US$ 73,21 por barril. A pressão sobre os preços do petróleo foi impulsionada pela perspectiva de maior oferta devido à possível flexibilização das restrições sobre o petróleo iraniano, o que gera incertezas sobre o equilíbrio do mercado global. A atenção dos investidores permanece voltada para desdobramentos nas negociações envolvendo os Estados Unidos e o Irã, assim como os desafiadores indicadores econômicos que podem afetar o futuro imediato dos mercados.

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