Em dezembro, a DPF já havia mostrado um crescimento de 1,82%. Apesar dessa alta, a dívida se manteve dentro dos limites estipulados no Plano Anual de Financiamento (PAF), que previa um saldo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. Vale ressaltar que o PAF foi revisto em setembro, alterando as expectativas originais.
Outro ponto significativo foi a Dívida Pública Mobiliária interna, que cresceu 19,26% em 2025, passando de R$ 6,967 trilhões para R$ 8,309 trilhões. Somente no mês de dezembro, a alta foi de 1,76%, impulsionada por uma emissão líquida de R$ 60,82 bilhões em títulos, com foco em papéis atrelados à Taxa Selic.
Com a taxa de juros fixada em 15% ao ano, o governo continua a reconhecer e apropriar os juros acumulados, o que tem pressionado o orçamento. Em dezembro, a emissão de títulos da DPMFi totalizou R$ 65,37 bilhões, enquanto os resgates foram reduzidos, e apenas R$ 4,55 bilhões foram liquidadas.
Adicionalmente, a Dívida Pública externa teve uma ligeira queda de 6,62%, passando de R$ 349,19 bilhões em 2024 para R$ 326,07 bilhões em 2025. Essa queda, no entanto, foi contrabalançada por um aumento de 3,53% em dezembro, impulsionado pela valorização do dólar em meio a incertezas políticas externas e a elevação das remessas de moedas para fora do Brasil.
Por outro lado, a reserva financeira do governo, conhecida como “colchão da dívida”, diminuiu de R$ 1,213 trilhão em novembro para R$ 1,187 trilhão em dezembro, refletindo a baixa emissão líquida de títulos. Essa reserva é crucial para cobrir vencimentos imprevistos e atualmente sustenta uma cobertura de 7,33 meses, com um total de R$ 1,507 trilhão programado para vencer nos próximos 12 meses.
Em termos de composição da DPF, verificou-se uma mudança no perfil dos títulos emitidos. Títulos atrelados à Selic aumentaram ligeiramente, passando de 48,14% para 48,25%, enquanto os títulos corrigidos pela inflação caíram de 26,1% para 25,93%. Essa estrutura de dívida é importante, pois reflete as escolhas de financiamento do governo e o apetite dos investidores por diferentes tipos de riscos.
Além disso, o prazo médio da dívida pública também apresentou uma leve redução, passando de 4,08 anos para 4 anos, o que pode indicar uma expectativa de novas emissões ou refinanciamentos.
Finalmente, a composição dos detentores da Dívida Pública interna mostra que instituições financeiras, fundos de pensão e investidores estrangeiros mantêm uma fatia significativa do estoque. Apesar da volatilidade no mercado, a participação de investidores não residentes aumentou ligeiramente, denotando um nível consistente de confiança no mercado brasileiro, mesmo em tempos turbulentos.
