ECONOMIA – Dívida Pública Federal cai 2,34% em março, totalizando R$ 8,633 trilhões, impulsionada pelo vencimento de títulos atrelados à Taxa Selic.

Dívida Pública Federal Registra Queda Acentuada em Março

Em um cenário econômico marcado pela volatilidade, a Dívida Pública Federal (DPF) apresentou uma significativa redução no mês de março, refletindo a pressão exercida pelo vencimento de títulos atrelados à Taxa Selic. Conforme dados recentes do Tesouro Nacional, a dívida caiu de R$ 8,841 trilhões em fevereiro para R$ 8,633 trilhões em março, o que representa uma diminuição de 2,34%.

Esse patamar de endividamento, registrado no início de 2023, é ainda mais relevante considerando que em agosto do ano anterior a DPF ultrapassou a barreira dos R$ 8 trilhões. As projeções do Plano Anual de Financiamento, apresentado em janeiro, indicam que até 2026 esse estoque poderá variar entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária Federal (DPMFi), que representa a dívida interna em títulos, também sofreu um recuo de 2,17%, passando de R$ 8,511 trilhões para R$ 8,302 trilhões. O Tesouro teve que resgatar R$ 302,32 bilhões a mais do que emitiu, principalmente em papéis vinculados à Selic, o que limitou a queda proporcional da dívida. A apropriação de R$ 93,01 bilhões em juros, resultante da alta da Selic, pressionou ainda mais as contas públicas.

Em contrapartida, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou um pequeno aumento de 0,61%, subindo de R$ 329,65 bilhões para R$ 331,64 bilhões, devido a um empréstimo com organismos internacionais e à valorização do dólar, influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Outro ponto a ser destacado é o colchão da dívida pública, que tem uma função crucial em momentos de crise. Essa reserva, que garante uma certa estabilidade financeira, caiu de R$ 1,192 trilhão para R$ 885 bilhões, em decorrência do resgate líquido de títulos e da recompra realizada no início da crise no Oriente Médio. Esse colchão atualmente cobre 5,69 meses de vencimentos de títulos federais, enquanto se projeta um vencimento total de R$ 1,68 trilhão nos próximos 12 meses.

Além disso, a composição da DPF teve alterações, com a redução dos títulos atrelados à Selic e um leve aumento na participação dos títulos corrigidos pela inflação e prefixados. A estrutura de detentores da dívida interna permanece estável, com instituições financeiras, fundos de pensão e investidores estrangeiros ocupando as principais fatias.

Por último, o prazo médio da DPF aumentou ligeiramente, passando de 4 para 4,1 anos, sinalizando uma maior confiança dos investidores na capacidade do governo em honrar seus compromissos financeiros. Essa confiança é vital para a manutenção de um ambiente econômico estável e para a administração eficiente da dívida pública.

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