A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também verificou crescimento, passando de R$ 8,331 trilhões em janeiro para R$ 8,511 trilhões em fevereiro, o que representa um aumento de 2,17%. Em fevereiro, o Tesouro Nacional emitiu R$ 102,81 bilhões em títulos a mais do que resgatou, destacando-se a predominância de papéis prefixados. Adicionalmente, a apropriação de R$ 77,76 bilhões em juros impactou de forma significativa na composição do endividamento público, à luz de uma Taxa Selic fixada em 14,75% ao ano, que exerce pressão sobre a conta do governo.
No que se refere à Dívida Pública Federal externa (DPFe), houve um crescimento de 6,13%, passando de R$ 310,59 bilhões em janeiro para R$ 329,65 bilhões em fevereiro. Esta alta ocorreu mesmo com a valorização do real, em virtude do lançamento de US$ 4,5 bilhões em títulos no mercado internacional.
Outro ponto digno de nota é o “colchão da dívida pública”, que, após uma queda em janeiro, aumentou novamente, subindo de R$ 1,085 trilhão para R$ 1,192 trilhão. Este fundo de reserva é crucial em momentos de instabilidade e atualmente cobre 6,41 meses dos vencimentos da dívida pública. Nos próximos doze meses, a previsão é que o governo enfrente vencimentos que totalizam R$ 1,44 trilhão.
A composição da DPF também apresentou variações marcantes. A participação dos títulos vinculados à Selic regrediu de 49,42% para 49,1%, enquanto os papéis prefixados aumentaram de 20,65% para 21,33%. Estes títulos, que garantem taxas fixadas no momento da emissão, traduzem uma maior previsibilidade na gestão da dívida pública. Durante períodos de turbulência financeira, é comum que investidores exigem taxas mais elevadas, o que pode complicar a administração da dívida do governo.
Adicionalmente, a confiança dos investidores, refletida pela composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna, mostra que o cenário de menor tensão no mercado financeiro elevou a participação dos não residentes (estrangeiros) em relação ao estoque total, alcançando 10,75%. Isso sugere uma crescente confiança dos investidores estrangeiros no Brasil. A capacidade do governo de honrar suas obrigações financeiras, por meio da emissão de títulos, continua sendo uma dinâmica crucial na manutenção da estabilidade econômica.
