ECONOMIA – Desenrola 2.0: Novo programa permitirá uso do FGTS para renegociação de dívidas e busca reduzir inadimplência entre famílias brasileiras.

O governo brasileiro se prepara para lançar uma nova versão do programa Desenrola, conhecida como Desenrola 2.0, em um anúncio esperado para esta semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá revelar detalhes sobre a iniciativa, que permitirá o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas, uma medida que visa aliviar a pressão financeira sobre as famílias.

A confirmação do programa veio do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que se reuniu em São Paulo com líderes do setor bancário, incluindo representantes de grandes instituições como Itaú, Bradesco e Santander. “Estamos finalizando as conversas com as instituições financeiras para que o presidente possa anunciar o programa ainda esta semana”, afirmou Durigan após as reuniões.

Embora a possibilidade de utilizar o FGTS para quitar dívidas tenha sido bem recebida, o ministro destacou que haverá limitações. O saque do FGTS, destinado à renegociação, será percentual e vinculado ao valor das dívidas. Isso significa que os valores acessados não podem ultrapassar a quantia decreditada.

O programa Desenrola 2.0 tem como objetivo principal a redução da inadimplência, especialmente em um momento em que as taxas de juros permanecem elevadas, mas com perspectivas de queda. Durigan explicou que a proposta foca nos tipos de crédito mais onerosos para as famílias, como crédito direto ao consumidor (CDC), cartão de crédito e cheque especial. Nesse panorama, uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, poderia se transformar em R$ 11 mil em apenas um mês devido aos juros altos, um ciclo insustentável para muitas famílias brasileiras.

Além disso, o novo programa contará com um suporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO), destinado a assegurar a eficácia da renegociação. O ministro vislumbra que os desconto nas dívidas poderá chegar até 90%, oferecendo um alívio significativo para os endividados.

Entretanto, Durigan reforçou que o Desenrola 2.0 não deve ser encarado como um programa recorrente. “Estamos diante de uma situação excepcional. Não devemos contar com medidas desse tipo de forma contínua, visto que as famílias estão enfrentando desafios múltiplos”, alertou ele.

O governo espera que a nova iniciativa beneficie milhões de brasileiros, corrigindo o caminho para uma recuperação financeira mais sustentável. No programa anterior, cerca de 15 milhões de pessoas foram atendidas, com uma renegociação total de R$ 53,2 bilhões em dívidas. Este novo esforço é visto como uma resposta imediata em tempos desafiadores, mas o ministro ressalta a necessidade de responsabilidade financeira a longo prazo.

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