A coordenadora da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, Adriana Beringuy, destaca que o principal motor dessa queda no desemprego é o consumo das famílias, que tem se mostrado resiliente mesmo diante da alta nas taxas de juros. Segundo ela, a economia ainda é amplamente impulsionada pelo poder de compra dos cidadãos.
Em 2025, o Brasil contava com 103 milhões de trabalhadores ocupados e 6,2 milhões de cidadãos buscando emprego, os chamados desocupados. A pesquisa abrange todas as formas de trabalho, incluindo ocupações formais e informais, e considera apenas aqueles que ativamente procuraram emprego nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O aumento da Selic, iniciado em setembro de 2024, foi uma medida adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para conter a inflação, que, em muitos momentos, esteve acima do intervalo de tolerância estabelecido pelo governo. A expectativa é que esse aumento no juro impactasse a economia de forma restritiva, inibindo o consumo e, consequentemente, a geração de empregos.
No entanto, o cenário se revelou surpreendente. A pesquisadora ressalta que o impacto da taxa de juros não é uniforme em todos os setores da economia. O consumo não se expandiu de maneira significativa para bens duráveis, que dependem mais de crédito. Por outro lado, houve um aumento na renda dos trabalhadores, com um rendimento médio mensal alcançando R$ 3.560, um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior, o que teve um efeito positivo no consumo de bens não duráveis, como alimentos e serviços.
Além disso, o universo do trabalho no Brasil mostra um crescimento considerável entre os trabalhadores por conta própria, que somam 26,1 milhões, sendo a maioria deles informais. O número de empregados com carteira assinada também atingiu o nível mais alto da série, totalizando 38,9 milhões, o que indica uma evidência de que, apesar do aumento no trabalho informal, o vínculo formal no mercado de trabalho também está em ascensão.
A pesquisa do IBGE revela que o comércio é o setor que mais gera empregos, seguido por áreas como saúde, educação e serviços públicos. Tal dinamismo no mercado de trabalho, associado ao crescimento da renda, sugere que as famílias estão adaptando seus padrões de consumo, favorecendo produtos e serviços que não dependem diretamente de crédito, mas que são sustentados pelo aumento do poder aquisitivo.
O contexto brasileiro, portanto, apresenta um contraste interessante: uma taxa de desemprego em queda e uma Selic em alta, desafiando a lógica convencional de que juros altos sempre inibem a atividade econômica.
