O índice que mede o desempenho das pequenas indústrias despencou para 43,7 pontos, marcando o pior resultado desde o segundo trimestre de 2020, quando o indicador alcançou um preocupante 34,1 pontos. Esse fenômeno reflete uma produção reduzida, uso ineficiente das capacidades fabris e uma diminuição no número de empregados.
As pequenas indústrias enfrentam desafios significativos, sendo os altos juros, a dificuldade de acesso ao crédito e o aumento nos custos das matérias-primas os principais vilões dessa crise. O índice que avalia as condições financeiras das empresas também apresentou queda, atingindo 39 pontos — a pior marca em cinco anos. Esse indicador leva em conta o acesso ao crédito, a margem de lucro e a satisfação dos empresários em relação à sua situação financeira.
Além da questão financeira, o custo das matérias-primas emergiu como uma das principais preocupações do setor, passando da sexta para a segunda posição entre os principais entraves. Em apenas um trimestre, a porcentagem de empresários que apontaram a dificuldade em obter insumos e materiais cresceu de 20% para 34,1%. Na construção civil, essa preocupação também aumentou consideravelmente, saltando de 4,1% para 18,1%, subindo de 13ª para 5ª colocação entre os problemas enfrentados.
A elevada carga tributária continua a ser o grande obstáculo para as pequenas indústrias, embora sua relevância tenha diminuído ligeiramente em comparação com o final de 2025. No setor da construção, os altos juros são destacados como o segundo maior problema, com a preocupação relacionada a essas taxas aumentando de 30,9% para 37,1%.
Por fim, a confiança dos empresários segue em queda. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) para pequenas empresas se fixou em 44,6 pontos em abril, um dos níveis mais baixos desde junho de 2020. Este índice permanece abaixo da linha de 50 pontos por 17 meses consecutivos, revelando um forte pessimismo entre os investidores do setor.
As expectativas para os próximos meses, no entanto, apresentam um quadro cauteloso. Com um índice de perspectivas marcando 47,4 pontos, os empresários mostram uma visão moderada sobre a demanda, produção, contratações e investimentos. Apesar da deterioração recente, algumas empresas ainda mantêm a esperança de uma recuperação gradual ao longo do ano.
