ECONOMIA – “Déficit primário de R$ 73 bilhões marca pior março da história fiscal brasileira, evidenciando pressão das contas públicas e aumento de despesas com precatórios.”

O cenário fiscal do Brasil enfrenta desafios significativos, conforme os dados divulgados pelo Tesouro Nacional, que revelam um déficit primário de impressionantes R$ 73,783 bilhões para o mês de março. Esta situação marca o maior rombo já registrado em março desde o início da série histórica, em 1997. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o resultado de março deste ano contrasta fortemente com o superávit de R$ 1,527 bilhão verificado no mesmo mês do ano anterior.

A principal responsável por essa deterioração nas contas públicas é a antecipação no pagamento de precatórios, que são dívidas do governo provenientes de sentenças judiciais definitivas. Em 2026, a maior parte desses pagamentos foi concentrada em março, ao contrário do ano anterior, quando a maior parte dos precatórios foi quitada em julho. Essa alteração no calendário gerou um impacto direto nas despesas totais, que dispararam para R$ 269,881 bilhões, um aumento de 49,2% quando ajustado pela inflação em relação ao mesmo mês do ano passado.

As despesas em várias categorias também apresentaram aumentos expressivos. Os gastos com sentenças judiciais atingiram R$ 34,903 bilhões, enquanto os benefícios previdenciários somaram R$ 28,615 bilhões, dos quais R$ 23,982 bilhões estão diretamente relacionados a precatórios. Além disso, a folha de pagamento e encargos sociais também cresceram, alcançando R$ 11,258 bilhões, com uma parte significativa também vinculada a decisões judiciais.

Apesar da deterioração fiscal, a arrecadação de impostos mostrou um desempenho positivo, impulsionada por um crescimento econômico e por novas medidas tributárias. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), por exemplo, cresceu R$ 2,8 bilhões em relação ao ano anterior, e outros tributos como o Imposto de Importação e o Imposto de Renda também apresentaram aumentos significativos. No entanto, esse avanço na arrecadação não foi suficiente para equilibrar o salto nas despesas.

Ao considerar o acumulado do primeiro trimestre de 2026, as contas públicas registraram um déficit total de R$ 17,085 bilhões, revertendo significativamente o superávit de R$ 54,993 bilhões observado no mesmo período do ano passado. Este resultado também foi influenciado pela antecipação dos pagamentos de precatórios, que continua a ser um tema central nas contas públicas.

Em meio a esse panorama desafiador, os investimentos federais apresentaram um crescimento notável em março, atingindo R$ 14,8 bilhões, um aumento expressivo de 323,9% em termos reais. Essa movimentação sugere uma aceleração na execução orçamentária e na implementação de projetos públicos.

Por fim, a meta fiscal para 2026 estipula um superávit de 0,25% do PIB, o que equivale a cerca de R$ 34,3 bilhões, mas apresenta uma margem de tolerância que permite um resultado entre zero e R$ 68,6 bilhões positivos. No entanto, regras recentemente aprovadas possibilitam a exclusão de até R$ 63,5 bilhões em despesas do cálculo, incluindo os precatórios. Com isso, mesmo as previsões mais otimistas apontam para um déficit efetivo de R$ 59,8 bilhões ao longo do ano, vislumbrando mais um ano das contas no vermelho.

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