A principal causa dessa piora no resultado anual é a significativa queda de US$ 3,3 bilhões no superávit comercial, majoritariamente devido à redução no valor das exportações. Além disso, os déficits em serviços e renda primária — que envolvem o pagamento de juros, lucros e dividendos de empresas — registraram aumentos de US$ 399 milhões e US$ 46 milhões, respectivamente. Até mesmo a renda secundária, que inclui transferências de renda sem contrapartida de serviços ou bens, viu seu superávit reduzir em US$ 148 milhões.
Nos doze meses até junho, o déficit em transações correntes atingiu US$ 31,453 bilhões, representando 1,41% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é um aumento em relação ao déficit de US$ 27,605 bilhões (1,23% do PIB) registrado no mês anterior, ainda que menor que os US$ 39,281 bilhões (1,93% do PIB) verificados nos doze meses que antecederam junho de 2023.
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, explicou que embora houvesse uma tendência de redução nos déficits das transações correntes ao longo de doze meses, essa trajetória se reverteu a partir de março deste ano. No entanto, ele ressalta que o déficit externo permanece baixo para os padrões da economia brasileira e é financiado por capitais de longo prazo, particularmente através dos investimentos diretos no país, que mantém um fluxo de alta qualidade.
Falando em investimentos diretos, o Brasil somou US$ 6,269 bilhões em Investimentos Diretos no País (IDP) em junho, o melhor resultado desde 2013. No total acumulado entre janeiro e junho de 2024, o déficit nas transações correntes chegou a US$ 18,691 bilhões, comparado a um saldo negativo de US$ 8,983 bilhões no mesmo período de 2023. A queda no superávit comercial e o aumento do déficit na conta de serviços contribuíram significativamente para esse resultado.
O crescimento das importações e a estagnação das exportações, que subiram apenas 0,6% no primeiro semestre, devido a preços internacionais mais baixos, também afetaram a balança comercial. Em junho, as exportações de bens caíram 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado, somando US$ 29,322 bilhões, enquanto as importações aumentaram 13,2%, atingindo US$ 23,278 bilhões. Assim, a balança comercial fechou o mês com um superávit de US$ 6,044 bilhões, abaixo dos US$ 9,299 bilhões registrados em junho de 2023.
As transações com criptomoedas, que antes eram contabilizadas na balança comercial, foram reclassificadas, impactando negativamente o déficit em transações correntes. Desde 2016 até maio de 2024, a compra líquida de criptomoedas por residentes acumulou US$ 39,7 bilhões. Esta mudança metodológica levou a ajustes no déficit, agora recalculado em diversas novas revisões pelo Banco Central.
O déficit na conta de serviços, que inclui viagens internacionais, transporte e aluguel de equipamentos, chegou a US$ 4,144 bilhões em junho, crescendo 10,7% em comparação ao mesmo mês de 2023. Rocha destacou o aumento das despesas com propriedade intelectual e serviços digitais, refletindo a maior internacionalização e digitalização da economia brasileira.
Os números deixam claro que, apesar dos desafios, os investimentos estrangeiros diretos continuam a ser um ponto forte, oferecendo um certo alívio ao financiamento do déficit em transações correntes.







