Após um pequeno aumento em janeiro, quando o índice subiu 0,5 ponto, a nova queda revela um ambiente econômico conturbado. Esse quadro se agrava em virtude da taxa Selic, fixada pelo Banco Central em 15% ao ano. Este patamar mantém o Brasil entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo, o que afeta diretamente o acesso ao crédito e as expectativas dos empresários.
Segundo Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da CNI, o cenário de juros elevados impacta a atividade industrial de várias maneiras. O encarecimento do crédito não só dificulta o acesso dos empresários, mas também prejudica os consumidores, o que por sua vez desacelera a economia. “A política monetária restritiva leva os empresários a projetar um enfraquecimento da economia nos meses seguintes, o que impacta suas expectativas de demanda”, acrescenta Nocko.
A análise detalha que tanto o Índice de Condições Atuais, que recuou para 43,8 pontos, quanto o Índice de Expectativas, que caiu de 50,7 para 50,4, apontam para uma percepção negativa em relação ao ambiente de negócios e à economia brasileira. A queda do primeiro índice sinaliza que os industriais veem um cenário pior em comparação aos últimos seis meses, apesar de uma leve melhoria na avaliação da economia geral.
Ademais, a pesquisa envolveu a participação de 1.103 empresas, representando um recorte diversificado, com 454 pequenas, 400 médias e 249 grandes indústrias. O resultado dessas análises indica que, mesmo diante de projeções negativas para o desempenho das empresas, as expectativas em relação à economia permanecem ligeiramente otimistas para os próximos meses. No entanto, essa expectativa é acompanhada de cautela e uma queda nas projeções internas.







