Embora a iniciativa tenha avançado, o uso do yuan ainda é periférico na África, e a desdolarização — um objetivo desejado por líderes chineses — permanece um desafio. Em uma recente medida, o Banco Central da China deu um passo significativo ao autorizar transações em yuan através do Standard Bank, o principal grupo bancário do continente, que conta com uma ampla presença em 21 países africanos. Essa parceria, envolvendo o Banco Industrial e Comercial da China, facilitará pagamentos e liquidações diretamente em yuan, abrindo novas possibilidades para o comércio entre a China e a África.
O comércio bilateral tem experimentado um crescimento notável, com uma média de 14% ao ano desde 2000, consolidando a China como a principal parceira comercial da África. Como parte dessa dinâmica, a China decidiu isentar tarifas de importação sobre produtos africanos a partir de maio, o que deverá impulsionar ainda mais as relações comerciais.
Contudo, especialistas como Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, alertam que a adoção do yuan ainda é limitada. Apesar de ser a quinta moeda mais utilizada nas transações globais, sua participação não chega a 9%. A situação atual é considerada um primeiro passo, onde a China se prepara para um futuro mais integrado comercialmente, embora o volume transacionado ainda impressione pela insignificância em comparação com a economia global.
No contexto da hegemonia do dólar, a “desdolarização” é uma agenda frequente entre os países do Brics, um grupo que inclui nações como Brasil, Índia e África do Sul. O domínio do dólar nos mercados internacionais confere aos Estados Unidos vantagens significativas, e a proposta de uma alternativa ao dólar tem gerado discussões, como sugerido pelo economista Paulo Nogueira Batista Jr. Ele propõe a ideia de uma nova moeda de reserva, fruto da união de diversas moedas do Sul Global, que poderia oferecer uma solução mais equitativa e menos dependente do sistema financeiro tradicional.
Contudo, a China hesita em um movimento de desdolarização mais rápido. Muitos de seus investimentos ainda estão atrelados ao dólar, e uma transição abrupta poderia resultar em perdas consideráveis. Assim, os analistas advogam por um processo gradual, que balanceie a internacionalização do yuan com a proteção do sistema financeiro da China.
Em suma, a crescente infraestrutura financeira da China na África é um reflexo de suas ambições globais, mas os obstáculos econômicos e políticos precisam ser cuidadosamente geridos para que uma verdadeira desdolarização e uma nova era comercial se tornem realidade.





