No último mês, os investidores movimentaram R$ 331,2 bilhões em depósitos, enquanto os saques totalizaram R$ 354,7 bilhões, resultando em um saldo de apenas pouco mais de R$ 1 trilhão na caderneta. Além deste saldo negativo, os rendimentos creditados nas contas alcançaram R$ 6,4 bilhões, mas isso não foi suficiente para conter a fuga de investimentos.
Dados dos anos anteriores revelam que o fenômeno dos saques superiores aos depósitos não é isolado: em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, essa tendência agravou-se, culminando em um saldo negativo de R$ 85,6 bilhões.
Entre os fatores que têm levado os investidores a buscar alternativas, destaca-se a manutenção da taxa Selic em níveis elevados. Essa taxa básica de juros, que atualmente se mantém em 15% ao ano, torna outros investimentos mais atrativos. O Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu um ciclo de aumentos após sete altas consecutivas, mas a estratégia de manter a Selic elevada visa controlar a inflação e a demanda.
Recentemente, a inflação também passou por uma leve alta, influenciada principalmente pelos custos de transporte e passagens aéreas, registrando aumento de 0,33% em dezembro em comparação a 0,18% em novembro. Essa oscilação reflete um avanço acumulado de 4,26% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao longo de 2025.
À luz desse cenário econômico, o Banco Central sinalizou que, na próxima reunião do Copom, em março, poderá iniciar uma redução da Selic. Contudo, não foram fornecidas informações detalhadas sobre a magnitude dos cortes. O BC reafirmou que os juros continuarão em níveis restritivos, o que continuará a impactar as decisões dos investidores. Nesse contexto, o futuro da caderneta de poupança segue incerto, exigindo atenção e estratégias adequadas por parte dos aplicadores.
