O comunicado do BRB ressalta o compromisso da instituição em manter acionistas e o mercado informados, priorizando a ética, a transparência e a responsabilidade nas suas operações. Contudo, a nota não explicou os motivos que levaram à renúncia de Veloso, nem apontou quem assumirá a Diretoria Jurídica após a sua saída.
A saída de Veloso ocorre em um momento crítico, enquanto o BRB lida com uma crise decorrente de seu envolvimento controverso com o Banco Master, que foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Jacques Veloso havia sido nomeado ao cargo em agosto de 2024, após a saída de seu antecessor, e era um membro ativo da governança do BRB, participando do Comitê de Auditoria.
Além da renúncia, o BRB também anunciou a posse de Ana Paula Teixeira como nova diretora executiva de Controles e Riscos. Com uma carreira robusta no setor financeiro, Ana Paula traz consigo uma vasta experiência. Ela atuou anteriormente como vice-presidente de Gestão de Riscos e Controles no Banco do Brasil. A nomeação visa fortalecer a governança corporativa e a gestão de riscos da instituição.
As investigações recentes revelaram que o BRB teria realizado operações irregulares com o Banco Master, adquirindo carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões entre 2023 e 2024. Os ativos adquiridos eram considerados superfaturados ou, em alguns casos, inexistentes. Embora tenha buscado adquirir o controle do Banco Master com a aprovação do Cade em junho de 2025, o Banco Central rejeitou a operação em setembro, culminando na liquidação do Master.
Uma declaração do diretor de Fiscalização do Banco Central sugere que essas operações resultaram em um rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do BRB, colocando ainda mais pressão sobre a já complicada situação financeira da instituição.
Em um aparente paradoxo, enquanto alertava sobre os riscos nas operações com o Banco Master, Veloso ainda se envolveu em uma comunicação interna que defendia a aquisição, assegurando que todas as medidas legais estavam sendo seguidas.
Diante desse cenário tumultuado, o BRB apresentou um plano ao Banco Central para recomposição de capital, com o objetivo de restaurar a credibilidade e a liquidez da instituição em um prazo de até 180 dias. Segundo estimativas do Banco Central, a recuperação poderá exigir um aporte mínimo de R$ 5 bilhões. O governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, acompanha a situação de perto, dadas as implicações significativas para a saúde financeira da instituição.
