Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, destacou que a tendência de diminuição do déficit é clara, marcando o terceiro mês consecutivo de redução. Nesse período, o déficit acumulado caiu em US$ 12,1 bilhões. Em fevereiro, o avanço no superávit da balança comercial foi um dos principais fatores a contribuir para este resultado, com um aumento de US$ 4,6 bilhões, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela queda nas importações.
Rocha também informou que as exportações estão registrando índices recordes, tanto no acumulado do ano quanto nos últimos 12 meses, com crescimento em diversos setores da economia. A diminuição das importações, por sua vez, é atribuída à desaceleração da atividade econômica interna, alinhada à política monetária expansionista que envolve aumento das taxas de juros.
Ao olhar para os 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit em transações correntes somou US$ 63,444 bilhões, equivalente a 2,71% do PIB. Essa cifra mostra uma melhora significativa em comparação ao mesmo período no ano anterior, quando o déficit atingiu US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB.
Em termos de financiamentos, os resultados negativos nas contas externas estão sendo cobertos predominantemente por investimentos diretos no país (IDP), que somaram US$ 6,754 bilhões em fevereiro, embora tenha sido uma queda em relação aos US$ 10,039 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O Banco Central observa que esse tipo de investimento é preferível, uma vez que fornece recursos para o setor produtivo e possui uma natureza de longo prazo.
Outro ponto a destacar é a entrada líquida de investimentos em carteira, que atingiu US$ 5,366 bilhões em fevereiro, refletindo um engajamento crescente no mercado doméstico. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, esses investimentos somaram ingressos líquidos de US$ 29,3 bilhões, sugerindo um ambiente robusto, apesar de flutuações.
As reservas internacionais do Brasil também registraram um aumento, alcançando US$ 371,074 bilhões em fevereiro, um incremento de US$ 6,706 bilhões em relação ao mês anterior. Essa cota robusta de reservas internacionais é um importante pilar para a estabilidade econômica do país.
As exportações de bens totalizaram US$ 26,383 bilhões em fevereiro, representando um aumento de 14,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto as importações recuaram em 5,1%, atingindo US$ 22,876 bilhões. A balança comercial, portanto, fechou com um superávit de US$ 3,507 bilhões, revertendo o resultado negativo de US$ 1,123 bilhões observado em fevereiro de 2025. Contudo, o déficit na conta de serviços se manteve estável em US$ 3,921 bilhões, e a conta de renda primária chegou a US$ 5,640 bilhões, apontando para tendências de desempenho econômico que ainda exigem atenção dos formuladores de políticas.
