O comportamento dos preços no Brasil é notoriamente distinto quando analisado ao lado de países como os Estados Unidos e Argentina. Nos EUA, por exemplo, a gasolina subiu 36,1% e o diesel 36,8%, enquanto na Argentina, essas cifras foram de 21,1% e 23,7%, respectivamente. Esta disparidade levanta questões sobre a política de preços e subsídios adotada pelo governo brasileiro, que parece ter desempenhado um papel significativo na contenção dos aumentos.
O Ineep destacou a importância das medidas emergenciais implementadas para mitigar os efeitos do choque do petróleo sobre os combustíveis, mencionando que tais ações foram cruciais nesse contexto. Porém, há um alerta de que essas intervenções são insuficientes para resolver as vulnerabilidades estruturais do setor. Segundo especialistas, a verdadeira solução passaria pela necessidade de um planejamento de longo prazo, que priorizasse o fortalecimento da Petrobras, ampliasse a capacidade de refino e recuperasse a competitividade da estatal nos elos estratégicos da cadeia de abastecimento.
É relevante observar que o período analisado pelo instituto coincide com eventos marcantes, como operações aéreas contra o Irã e a morte de Ali Khamenei, além de interrupções nas rotas marítimas no Estreito de Ormuz. Também coincide com movimentações diplomáticas que buscam uma resolução pacífica para o conflito. Durante este tempo, outro dado significativo foi a queda no preço do etanol, que apresentou uma diminuição de 7,3%, impulsionada pelo início da safra 2026/2027, o que elevou a oferta do biocombustível de forma mais contundente do que em anos anteriores.
Essas nuances na política de preços de combustíveis e sua interrelação com fatores globais e locais sugerem que o Brasil, apesar de medidas protetivas, precisa de uma abordagem mais robusta e integrada para lidar com as oscilações do mercado internacional de petróleo e suas consequências diretas no cotidiano do consumidor brasileiro.





