A análise desses números revela que, apesar da forte evasão financeira, a moeda brasileira, o real, se valorizou ao longo do ano. Isso se deveu em parte às taxas de juros elevadas no Brasil, que atraíram investimentos, e à queda do dólar no cenário internacional. O canal comercial, embora tenha registrado uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, acabou sendo incapaz de compensar a evasão do canal financeiro. As importações, que totalizaram cerca de US$ 238 bilhões, contribuíram para essa balança negativa, uma vez que este foi o segundo maior volume de câmbio para compras externas na história, ficando atrás apenas de 2022.
Nesse contexto, as exportações brasileiras somaram US$ 287,5 bilhões no ano, mas o fluxo cambial, que inclui operações como pagamentos antecipados e adiantamentos de contratos de câmbio, mostrou um quadro mais complexo. Em dezembro, o fluxo cambial teve um resultado negativo de US$ 13,562 bilhões, um alívio em relação aos US$ 27 bilhões do mesmo mês em 2024, refletindo uma fuga de US$ 20,982 bilhões via conta financeira, que foi parcialmente compensada pela entrada de US$ 7,421 bilhões pela conta comercial.
Um fator que influenciou essa saída no último mês do ano foi a antecipação de pagamentos de dividendos por empresas e investidores, que queriam evitar a taxação de remessas internacionais, que começaria a valer em janeiro de 2026. O Banco Central interveio de forma discreta no mercado, realizando apenas duas operações diretas de US$ 1 bilhão cada, para equilibrar taxas de juros em dólar sem interferir diretamente na cotação cambial. Essa abordagem trouxe uma dinâmica interessante ao mercado, permitindo que o real mantivesse-se apreciado em meio a um quadro substancialmente desfavorável no fluxo de dólares.
