Entre março e abril deste ano, o Brasil gastou aproximadamente US$ 1,76 bilhão em diesel importado, com quase 81% desse total, cerca de US$ 1,43 bilhão, vindo da Rússia. Este cenário se consolidou ainda mais em abril, quando o Brasil adquiriu US$ 924 milhões em diesel russo, o que corresponde a quase 90% das importações do mês. Os Estados Unidos, por sua vez, segundo colocado no ranking dos fornecedores, representaram apenas 11% das compras.
Este aumento nas importações de diesel da Rússia é notável em comparação ao cenário anterior à guerra, quando o Brasil ainda realizava compras de países do Oriente Médio, como Emirados Árabes e Arábia Saudita. Em fevereiro, o Brasil importou cerca de US$ 433 milhões em diesel russo, número que subiu para US$ 505 milhões em março, culminando em quase US$ 1 bilhão em abril.
Buscando mitigar os efeitos da alta nos preços do diesel, que impacta tanto consumidores quanto transportadores, o governo federal tomou uma série de medidas compensatórias. Em uma ação significativa, foi anunciada a liberação de R$ 10 bilhões em subsídios para a importação do combustível. Além disso, um decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que zerou a alíquota de impostos sobre o diesel, prometendo uma redução de R$ 0,32 por litro nas refinarias e com potencial para um valor similar oriundo do subsídio.
Outra ação do governo, em abril, foi o lançamento de um programa para incentivar estados a reduzirem o ICMS sobre o diesel importado, com a expectativa de uma diminuição completa de R$ 1,20 por litro nas bombas, dividindo os custos da medida entre a União e os governos estaduais. Este pacote deve gerar um impacto total de R$ 4 bilhões em dois meses, uma tentativa de aliviar a pressão gerada pela escalada dos preços internacionais.
Ainda, o governo planeja uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido localmente, com um impacto financeiro estimado em R$ 3 bilhões mensais. Para garantir que os benefícios cheguem ao consumidor final, as empresas que se beneficiarem das medidas precisam comprovar que estão repassando a redução de preços. A soma dessas medidas reflete uma estratégia robusta do governo brasileiro em face das turbulências no mercado global de combustíveis.
