ECONOMIA – Bolsa brasileira desaba 2,22% e dólar ultrapassa R$ 5,00 em meio a tensões globais e temores de tarifas comerciais dos EUA sobre o Brasil.

Nesta quarta-feira, 3 de outubro, o mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia turbulento, com a bolsa de valores registrando uma queda acentuada enquanto a cotação do dólar apresentou uma ascensão significativa. O Ibovespa, principal índice da B3, viu seu valor desmoronar em 2,22%, fechando o dia aos 170.330 pontos. Em paralelo, a moeda americana avançou 1,14%, encerrando o pregão com a cotação de R$ 5,067.

Esse movimento foi claramente influenciado por uma aversão global ao risco, catalisada pela intensificação das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, e por receios em relação a novas tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos que podem impactar o Brasil e outras nações. O ambiente de incerteza fez com que os investidores buscassem ativos mais seguros, reduzindo sua exposição aos mercados emergentes, incluindo o brasileiro.

Após uma leve recuperação no dia anterior, quando o Ibovespa havia subido, a sessão de quarta-feira trouxe um retrocesso, culminando na maior perda diária desde 7 de maio. Durante o pregão, o índice chegou a tocar a marca de 170.007 pontos, mas conseguiu manter-se acima do patamar psicológico dos 170 mil pontos ao encerrar o dia.

O desempenho da bolsa não só foi o pior desde o início de janeiro, mas também refletiu uma deterioração do sentimento do investidor, que se mostrava cauteloso diante da volatilidade e da pressão vindas de outros mercados, particularmente dos Estados Unidos, onde as bolsas também se mostraram em queda. A crescente animosidade entre as potências, especialmente entre EUA e Irã, agravou o cenário.

No front cambial, o dólar ganhou força, influenciado pela alta demanda internacional pela moeda. Durante o dia, a cotação chegou a atingir R$ 5,09, encerrando no seu maior valor desde 8 de abril. O real se destacou entre as moedas emergentes ao apresentar um dos piores desempenhos, resultado da retirada de capital das ações brasileiras e da cautela dos investidores, especialmente com a proximidade do feriado de Corpus Christi.

Além disso, a valorização do dólar foi impulsionada por indicadores econômicos robustos nos Estados Unidos e pela expectativa de que a taxa de juros se mantenha elevada por um período prolongado. Cabe ressaltar que, apesar da alta observada nesta quarta-feira, o dólar ainda acumula uma queda de 7,69% em relação ao real em 2026.

Aparentemente alheio a esse cenário, o petróleo teve uma valorização significativa, com o preço do barril do Brent, referência internacional, aumentando 1,89%, estabelecendo-se a US$ 97,81. Por sua vez, o WTI, cotado no Texas, subiu 2,4%, encerrando o dia a US$ 96,02. As incertezas sobre um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã, além de confrontos na região do Estreito de Ormuz, impactaram as cotações, suscitando preocupações acerca da inflação e levando os investidores a um comportamento mais cauteloso em relação ao futuro econômico global.

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