Galípolo revelou que, ainda em dezembro de 2024, antes de assumir formalmente a presidência do BC, participou de uma reunião no Palácio do Planalto que abordou a problemática do Banco Master, que já enfrentava sérios problemas de liquidez e dificuldade em captar recursos. O encontro contou com a presença de figuras influentes, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master, Augusto Lima, e alguns ministros, além do próprio Lula.
Na descrição do depoente, Vorcaro se destacou na reunião, insistindo na narrativa de que o Banco Master enfrentava resistência do mercado devido à sua crescente concorrência, um argumento que Galípolo considerou improvável, dado o porte reduzido da instituição. O presidente do BC minimizou essa alegação dos acionistas, reafirmando que a situação da instituição se mostrava complexa e não relacionada exclusivamente à concorrência no setor financeiro.
Lula, conforme a narrativa de Galípolo, se mostrou evasivo em sua resposta, deixando claro que questões relacionadas ao Banco Master deveriam ser tratadas pelo BC, e não pela Presidência. Após essa reunião, Galípolo esclareceu que não houve mais discussões sobre o tema no Palácio do Planalto e que não dialogou sobre a questão com o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou com o ministro Alexandre de Moraes.
O processo em questão culminou na liquidação extrajudicial do Banco Master, uma decisão formalizada pelo Banco Central em novembro de 2025. Galípolo destacou que, na data do anúncio, o banco dispunha de apenas 10% do capital necessário para honrar os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que estavam vencendo. O Banco Master, sob a gestão de Vorcaro, teve um rápido crescimento orientado por uma proposta de rentabilidade superior à média do mercado, o que, segundo investigadores, culminou em práticas de risco elevado e manipulações contábeis que deterioraram sua liquidez real, comprometendo sua capacidade de atender às obrigações financeiras.





