Os alimentos que mais influenciaram esse aumento foram o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite. A elevação nos preços desses produtos está atrelada, em grande parte, aos impactos das chuvas nas principais regiões produtoras. Em contrapartida, o açúcar apresentou queda em 19 cidades, reflexo de uma oferta abundante no mercado.
Dentre as cidades que registraram os maiores aumentos, Manaus liderou a lista com 7,42%, seguida por Salvador (7,15%) e Recife (6,97%). Outras capitais como Belo Horizonte e Aracaju também tiveram aumentos significativos. Além de São Paulo, o Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35) figuram entre as capitais com os maiores custos. Na média, as demais capitais não ultrapassam os R$ 800.
Considerando o salário mínimo atual, que é de R$ 1.621,00, um trabalhador que reside nessas cidades precisa dedicar aproximadamente 109 horas de trabalho para custear a cesta básica. Esse percentual revela que, em média, os trabalhadores comprometem 48,12% de seus rendimentos para adquirir os itens essenciais, uma leve redução comparada ao ano anterior.
Em março, o tempo médio necessário para comprar a cesta básica aumentou em relação ao mês anterior, passando para 97 horas e 55 minutos. Em comparação com março de 2025, essa jornada média era de 106 horas e 24 minutos.
O estudo também aponta que 13 cidades observaram aumento nos preços da cesta ao longo do último ano, enquanto quatro experimentaram quedas. Entre as maiores altas estavam Aracaju e Salvador, já as reduções foram verificadas em Brasília e Florianópolis.
No aspecto da produção de feijão, o levantamento revela alta em todas as cidades pesquisadas, resultante de desafios como o clima. A escassez de oferta, devido a dificuldades na colheita e redução nas áreas de plantio, elevaram os preços do feijão carioca e do feijão preto, com previsões de uma possível inversão nos preços entre essas variedades no próximo ano.
A Conab estima uma produção de feijão superior a 3 milhões de toneladas para o ciclo atual, mas os impactos do aumento nos preços de insumos e combustíveis ainda não se manifestaram no setor, gerando incertezas sobre o futuro dos preços dos alimentos.
Por fim, a pesquisa do Dieese destaca que o valor ideal do salário mínimo, considerando a cesta mais cara em São Paulo e as necessidades básicas de uma família, seria de R$ 7.425,99, o que representa 4,58 vezes o salário mínimo atual. Esse cenário reforça a disparidade entre os rendimentos e o custo de vida, evidenciando a necessidade de um debate mais profundo sobre a política salarial e a proteção social no Brasil.
