Haddad afirmou que é essencial reiterar que o acordo não apresenta riscos para os agricultores franceses e italianos. Ressaltou que são necessárias intervenções para dissipar temores e destacou que, durante a cúpula do Mercosul que ocorrerá em Foz do Iguaçu, a formalização do pacto, adiada para janeiro, estava prevista originalmente para o último sábado. Essa mudança se deu em razão da resistência de alguns países europeus, em especial França e Itália, onde os agricultores se mostraram contrários ao acordo.
Em suas declarações, o ministro também mencionou que se comunicou com o presidente francês Emmanuel Macron para reforçar que o entendimento vai além de questões comerciais, apresentando-se como um marco geopolítico importante. Segundo Haddad, a vitória desse tratado não seria somente uma conquista econômica, mas uma mensagem significativa ao mundo a respeito da necessidade de evitar a polarização entre blocos fechados.
O ministro assegurou que o texto do acordo inclui cláusulas específicas para garantir salvaguardas aos setores mais vulneráveis, e que a resistência observada se deve mais a questões políticas internas do que a real necessidade de mudanças no conteúdo acordado. Haddad acredita que, se a UE precisa de um tempo adicional para esclarecer a situação junto à sua população, isso vale a pena.
Na mesma ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mencionou que conversou com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que, embora não se oponha ao tratado, enfrenta dificuldades políticas para convencer os agricultores de seu país. Meloni solicitou um prazo de até um mês para tratar dessas questões.
A França, uma das principais vozes contrárias ao acordo, mobilizou apoio de outras nações para postergar a assinatura. Recentemente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que o tratado ficará para janeiro, após mais de 20 anos de negociações. A formalização do acordo promete criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo aproximadamente 722 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado em torno de US$ 22 trilhões.
