De acordo com o mais recente Relatório do Estado da Segurança Alimentar no Mundo, desde o início da pandemia de covid-19, o número de pessoas que enfrentam a fome aumentou em 150 milhões. Isso representa o dobro da população do Reino Unido vivendo em condições de extrema pobreza. Os países do Cone Sul, apesar de serem ricos em recursos naturais e terem um IDH elevado, enfrentam dificuldades em alimentar adequadamente sua população devido a um modelo econômico ineficiente.
O Atlas aborda a questão do agronegócio como principal forma de produção de alimentos na região e questiona se essa é a única maneira viável de alimentar a população. Jorge Pereira Filho, um dos organizadores da publicação, ressalta que o sistema alimentar vigente prioriza o lucro em detrimento da saúde das pessoas, levando à fome e ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.
Um dos paradoxos destacados no Atlas é que, apesar de ser uma região produtora excedente de alimentos, milhões de pessoas sofrem com a escassez alimentar. Isso se deve à priorização dos grandes produtores pecuaristas em exportar sua produção em vez de direcioná-la para a população local. Além disso, o crescimento das exportações no setor primário não se reflete em empregos no campo, resultando no êxodo rural e no aumento da população nas áreas urbanas.
Diante desse cenário, o Atlas dos Sistemas Alimentares do Cone Sul propõe a união de forças sociais para defender os territórios, construir a soberania alimentar e tornar a região mais justa e democrática. O estudo destaca a importância da agricultura familiar, camponesa e indígena, e ressalta a necessidade do acesso irrestrito aos recursos naturais para garantir a segurança alimentar. Sem essas mudanças, a fome continuará a assolar a região de forma implacável.
