Entretanto, esse crescimento econômico não se reflete em melhorias na qualidade de vida da população. Enquanto a atividade econômica avança, o consumo continua em declínio, com aumentos inadequados nos salários, que não conseguem acompanhar a inflação. Em janeiro, os salários cresceram apenas 2,5%, enquanto a inflação teve alta de 2,8%. Isso significa que, na comparação interanual, a alta salarial de 28% ficou abaixo dos 35% registrados pela inflação nos últimos doze meses.
Adicionalmente, o cenário se torna mais preocupante com a diminuição do emprego formal e um aumento na informalidade, que já atinge 43% da força de trabalho, correspondente a aproximadamente 5,8 milhões de trabalhadores sem garantias sociais. A indústria manufatureira caiu 2,6% e o comércio recuou 3,2%. Esses setores são vitais para a economia, pois são responsáveis por uma parte substancial da empregabilidade no país. A situação se complica ainda mais com o número crescente de trabalhadores informais e a queda na demanda, que, segundo especialistas, indica uma realocação de recursos e não uma mera diminuição do consumo.
Conforme destacam economistas, a expansão observada em setores como mineração e energia não se traduz em mais empregos, o que levanta questões sobre a sustentabilidade desse crescimento. Para muitos observadores, o aumento da informalidade e o ajuste nas condições de trabalho são sinais claros de uma economia em transição, onde as velhas dinâmicas de emprego estão se desfazendo, sem que um novo modelo inclusivo esteja claramente se formando. Esta realidade cria um paradoxo difícil: a economia cresce em números, mas a qualidade de vida dos argentinos continua a ser desafiadora.
